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TEATRO
Crioula
(Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro)
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| Zezé
e Elisa: Elza Soares em dose dupla |
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Eleita no ano passado a cantora do milênio pela BBC de Londres,
há muito Elza Soares merecia uma homenagem no seu país. Valeu
a pena esperar. O tributo veio em forma de um caprichado musical
que mostra momentos penosos da sua vida, pontuados pelos sucessos
na sua inconfundível voz rouca. Há também canções inéditas,
compostas especialmente para ela, como Dura na queda, de Chico
Buarque, apresentada no grand finale numa interpretação arrebatadora
de Elza projetada em três telões. A menina favelada, que se
casou obrigada aos 12 anos, foi mãe aos 13 e enviuvou aos
19, conheceu alguns de seus melhores e piores momentos ao
lado do craque Garrincha, o que justifica o grande espaço
dado ao personagem, interpretado pelo ótimo Tuca Andrada.
Para dar vida às várias faces e fases da vida de Elza Soares,
a diretora Stella Miranda decidiu dividi-la em duas atrizes:
Elisa Lucinda e Zezé Polessa. Apesar de alguns exageros moderninhos
na con--ce-pção visual, o saldo é um belo e emocionante espetáculo.
(C.M.)
Não perca
SHOW
Luiz
Melodia acústico ao vivo
(Sesc Pom-péia, de 18 a 20, São Paulo)
Desde o final de 1999, Luiz Melodia vem rodando algumas capitais
brasileiras e agora dá um superbem-vindo bis na capital paulista.
Acompanhado dos violões luxuosíssimos de Renato Piau e Perinho
Santana, o Pérola Negra canta seus maiores sucessos do jeito
mais maduro e feliz que ele já pôde fazer. São interpretações
maravilhosas de Dores de amores, Magrelinha ou Estácio holly
Estácio na voz daquele que, sem dúvida, pode ser considerado
um dos maiores - para não dizer o maior - intérpretes pop
brasileiro. (A.R.)
Não perca
CINEMA
Medo
e delírio
(em cartaz em São Paulo)
Definitivamente este não é um filme para quem não vivenciou
a cultura das drogas ou não tenha a mínima identidade com
elas. Até mesmo os simpatizantes talvez se sintam mal diante
da fita dirigida pelo ex-monty python Terry Gilliam. Medo
e delírio é uma aventura desesperada ao mundo das drogas.
Sejam elas quais forem, porque para Raoul Duke (Johnny Depp,
irreconhecível) e Gonzo (Benicio Del Toro) não há preferência
entre mescalina, LSD, cocaína, éter, álcool, etcetera. Eles
tomam, cheiram, fumam, engolem tudo ao mesmo tempo. A diferença
fica por conta do efeito que se sobressai. Aí, os americanos
mais cafonas se transformam em répteis, o tapete ganha vida,
os salgadinhos viram vermes enquanto os dois lançam jorros
de vômito transformando em pocilgas os quartos dos hotéis
onde se hospedam. Baseado em livro homônimo do jornalista
Hunter Thompson - um outsider que é exatamente o que escreve
-, com roteiro do próprio Gilliam, em parceria com Alex Cox,
outro interessadíssimo no universo paralelo dos estupefacientes,
o filme até tenta divertir, mas é uma "viagem" de muito terror
e pouco êxtase. (A.R.)
Vá se tiver tempo
DISCOS
On the
loose, com Flávio Guimarães
(Eldorado)
Para o músico carioca Flávio Guimarães, a gaita é o "instrumento
definitivo do blues." Há pelo menos 14 anos - com seu grupo
Blues Etílicos ou sozinho - ele vem demonstrando que está
certo. Em seu segundo CD solo emoldura pequenas pérolas bluseiras
com fartos solos. Quem gosta deste tipo de som vai se deliciar
com o dueto de gaitas entre Guimarães e o americano Charlie
Musselwhite. A banda que o acampanha também é eficiente e
traz convidados de peso, entre eles o baixista Bruce Henry.
Como cantor, Flávio Guimarães não chega a derrapar, embora
se agarre a alguns cacoetes que assolam o gênero, carregando
na voz áspera - uma redundância perdoável. (C.F.)
Ouça com atenção
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