Nº 1585 - 16/02/2000
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TEATRO
Crioula
(Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro)

Zezé e Elisa: Elza Soares em dose dupla


Eleita no ano passado a cantora do milênio pela BBC de Londres, há muito Elza Soares merecia uma homenagem no seu país. Valeu a pena esperar. O tributo veio em forma de um caprichado musical que mostra momentos penosos da sua vida, pontuados pelos sucessos na sua inconfundível voz rouca. Há também canções inéditas, compostas especialmente para ela, como Dura na queda, de Chico Buarque, apresentada no grand finale numa interpretação arrebatadora de Elza projetada em três telões. A menina favelada, que se casou obrigada aos 12 anos, foi mãe aos 13 e enviuvou aos 19, conheceu alguns de seus melhores e piores momentos ao lado do craque Garrincha, o que justifica o grande espaço dado ao personagem, interpretado pelo ótimo Tuca Andrada. Para dar vida às várias faces e fases da vida de Elza Soares, a diretora Stella Miranda decidiu dividi-la em duas atrizes: Elisa Lucinda e Zezé Polessa. Apesar de alguns exageros moderninhos na con--ce-pção visual, o saldo é um belo e emocionante espetáculo. (C.M.)
Não perca

SHOW
Luiz Melodia acústico ao vivo
(Sesc Pom-péia, de 18 a 20, São Paulo)
Desde o final de 1999, Luiz Melodia vem rodando algumas capitais brasileiras e agora dá um superbem-vindo bis na capital paulista. Acompanhado dos violões luxuosíssimos de Renato Piau e Perinho Santana, o Pérola Negra canta seus maiores sucessos do jeito mais maduro e feliz que ele já pôde fazer. São interpretações maravilhosas de Dores de amores, Magrelinha ou Estácio holly Estácio na voz daquele que, sem dúvida, pode ser considerado um dos maiores - para não dizer o maior - intérpretes pop brasileiro. (A.R.)
Não perca

CINEMA
Medo e delírio
(em cartaz em São Paulo)
Definitivamente este não é um filme para quem não vivenciou a cultura das drogas ou não tenha a mínima identidade com elas. Até mesmo os simpatizantes talvez se sintam mal diante da fita dirigida pelo ex-monty python Terry Gilliam. Medo e delírio é uma aventura desesperada ao mundo das drogas. Sejam elas quais forem, porque para Raoul Duke (Johnny Depp, irreconhecível) e Gonzo (Benicio Del Toro) não há preferência entre mescalina, LSD, cocaína, éter, álcool, etcetera. Eles tomam, cheiram, fumam, engolem tudo ao mesmo tempo. A diferença fica por conta do efeito que se sobressai. Aí, os americanos mais cafonas se transformam em répteis, o tapete ganha vida, os salgadinhos viram vermes enquanto os dois lançam jorros de vômito transformando em pocilgas os quartos dos hotéis onde se hospedam. Baseado em livro homônimo do jornalista Hunter Thompson - um outsider que é exatamente o que escreve -, com roteiro do próprio Gilliam, em parceria com Alex Cox, outro interessadíssimo no universo paralelo dos estupefacientes, o filme até tenta divertir, mas é uma "viagem" de muito terror e pouco êxtase. (A.R.)
Vá se tiver tempo

DISCOS
On the loose, com Flávio Guimarães
(Eldorado)
Para o músico carioca Flávio Guimarães, a gaita é o "instrumento definitivo do blues." Há pelo menos 14 anos - com seu grupo Blues Etílicos ou sozinho - ele vem demonstrando que está certo. Em seu segundo CD solo emoldura pequenas pérolas bluseiras com fartos solos. Quem gosta deste tipo de som vai se deliciar com o dueto de gaitas entre Guimarães e o americano Charlie Musselwhite. A banda que o acampanha também é eficiente e traz convidados de peso, entre eles o baixista Bruce Henry. Como cantor, Flávio Guimarães não chega a derrapar, embora se agarre a alguns cacoetes que assolam o gênero, carregando na voz áspera - uma redundância perdoável. (C.F.)
Ouça com atenção

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