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Maria Clara Vergueiro, do Sportv: esportes radicais, samba e literatura
 

Perfil
Papo-firme
por Mariana Abreu Sodré

Maria Clara Vergueiro, 23 anos, é a garota paulistana suingue sangue-bom. Apresentadora do canal pago Sportv, pratica esportes desde os quatro anos. E, assim como as meninas de sua idade, divide-se entre a faculdade, o trabalho, o esporte e as baladas. Já trabalhou como garçonete no restaurante Mestiço, em São Paulo, e como secretária de uma antropóloga. Mora sozinha desde os 19 anos. Sua carreira de apresentadora, como tudo em sua vida, veio quase por acaso. Estava um dia de bobeira, com a faculdade de ciências sociais da USP (Universidade de São Paulo) em greve, e resolveu acompanhar a irmã Dora Vergueiro, que fazia aniversário, no trabalho. Veio o convite para um teste no canal esportivo e, três dias depois, ela estava em Aracaju gravando o seu primeiro programa. Maria Clara é bem mais do que dois belos olhos verdes. Seu sotaque – mezzo paulistano, mezzo carioca – é a primeira pista da mistura fina que é. O falar é solto e ligeiro, e pode entremear gírias cabeludas a versos de Pablo Neruda. A mina esperta – nascida em São Paulo e criada entre a Paulicéia e o Rio de Janeiro – circula com desenvoltura por diferentes tribos, inclusive as indígenas. Pode ser vista apresentando o programa Zona de impacto, no campus da Universidade de São Paulo, cantando em rodas de samba da Vila Madalena, papeando com amigas de longa data pela noite, discutindo literatura, ou cumprindo suas duas horas de exercícios diárias na academia Competition de São Paulo.

Samba, teorias acadêmicas, literatura (Clarice Lispector, é claro), música, poesia, esportes radicais e boêmia saudável. Maria Clara tira tudo de letra e disso faz a sua escola. “O samba é a sopa da vovó, a faculdade serve para simplesmente tudo, minha família é minha base, o esporte é onde extravaso, o trabalho é o que me gratifica, e as crônicas, poesias e músicas que componho são apêndices da minha maneira de me comunicar”, diz.

Seu primeiro contato com os esportes radicais se deu por meio do trabalho. Antes, praticava natação, balé clássico e ginástica. “No meu primeiro programa, o SK8, conheci a cultura do skate e fiquei fascinada. É a modalidade mais urbana que existe e a que exige menor infra-estrutura. Um corrimão e coragem são suficientes”, descreve. Entre suas reportagens inesquecíveis está uma que fez sobre pára-quedismo. “Morro de medo de altura. Topei por profissionalismo, e aprendi a tolerar meu medo. Depois de enfrentá-lo, me sinto poderosa. Volto para casa pensando: pelo menos por hoje não tenho problema nenhum. Só por hoje eu sou o He-Man”, diverte-se. A cobertura das Olimpíadas Indígenas do Pará, que ela fez em 2002, também a marcou. “Acompanhei de perto as disputas das tribos. Eram mais de 200 etnias indígenas disputando provas como corrida de tora e arco-e-flecha. Foi a primeira vez que uni meus conhecimentos de antropologia ao esporte”, lembra.

Já suas outras paixões – música, letras e artes – são heranças de uma família que se divide entre o mundo acadêmico e artístico. Os livros foram apresentados por seu avô – o escritor, professor e ensaísta Antônio Cândido – e por sua mãe, a historiadora Laura de Mello e Souza. A música e a melodia, por seu pai, o compositor Carlinhos Vergueiro, com quem costuma caminhar pelas orlas cariocas quando está no Rio. E a vivacidade e o jogo de cintura devem-se ao convívio com seus sete irmãos e agregados, seis deles mais velhos. “Sou megafamília. Não tenho medo da vida porque sempre tive pessoas especiais ao meu lado”, afirma. “Meus pais sempre me deram liberdade e respostas. Pude escolher o que eu queria fazer, desde que fizesse com amor e qualidade”, completa.

Com energia e curiosidade de sobra, não se cansa de experimentar novas sensações. A mais recente delas é seu primeiro livro, um romance ainda sem título, que conta com o apoio do pai e o aval do avô intelectual. Mas isso não quer dizer que a garota busque aprovações. Macala (como é chamada pelos amigos e família) é, acima de tudo, independente. Ultimamente, anda com vontade de se aventurar na mídia impressa, enquanto também cogita prestar vestibular para a faculdade de artes cênicas da USP. “Pois é, o teatro também é uma parada que curto muito”, diz. Curte tanto que, em meio à correria de sua vida, já participou do grupo de estudos de teatro Tapa e da escola de Antunes Filho. Afinal, para ela, que tem apenas 23 anos, aventura pouca é bobagem.

Agradecimentos: Maquiagem: Vanessa Rolzan (MAC), Cabelo: Guilherme Cassolari (Cassolari´s), Roupas: Track&Field, Tennis World e Clube Chocolate