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Fotos: Arquivo Pessoal    
Jorge Kuge, nos anos 80 no Parque do Ibirapuera  

Mestres do esporte - Skate
Eternamente jovem
Por Dolores Orosco

Pode-se dizer que o skate teve uma
trajetória de fênix no Brasil. Foram vários fins e renascimentos até que o esporte se profissionalizasse e fizesse campeões
por aqui. Quem acompanhou todas as etapas e, além de sobreviver a modismos, também fez moda foi o paulistano Jorge Kuge, 41 anos. Proprietário da marca de roupas e acessórios Urgh! – uma das primeiras grifes de street wear de que se teve notícias –, Kuge é o patrocinador oficial de vários campeões, como Sérgio Negrão, Otávio Neto e Bob Burnquist.
Ex-skatista profissional, o empresário costuma se definir como um “militante do skate” há 24 anos.

Fotos: Arquivo Pessoal
Criança, com os amigos do Jardim Míriam, um dos bairros mais violentos da Zona Sul

A paixão pelo esporte começou quando Kuge viu um campeonato americano pela televisão, em 1974, na infância pobre no Jardim Míriam, um dos bairros mais violentos da zona sul da capital. “Fiquei encantado com aquelas manobras malucas. Para fazer meu próprio skate, arranquei as rodinhas dos patins da minha irmã e preguei-as numa tábua”, conta ele, que logo espalhou a moda pela molecada da região. “Como ainda não havia um amortecedor, a gente cortava um pedaço de sandália Havaiana e colocava entre o parafuso e o eixo para evitar o desgaste causado pelo atrito entre as partes metálicas.” Com um material tão tosco os acidentes eram inevitáveis. A cidade não tinha rampas e as ruas eram muito esburacadas.

Fotos: Arquivo Pessoal    
No detalhe, seu skate de 1985, o primeiro de resina de epóxi do País  

No final da década de 1970, o skate parecia que caminhava para a profissionalização. Foram construídas algumas rampas e aconteceram os primeiros campeonatos na cidade. “Mas aquela euforia durou uns dois anos.” No entanto, quem conhecia o esporte a fundo continuou a praticá-lo. A turma se reunia no Parque do Ibirapuera. “Chamavam a gente de Ibira Boys. Eu passava o dia com a molecada e só tinha dinheiro pra comprar um X-miséria, que era o pão com manteiga na chapa”, relembra Kuge.

Aquela turma que tinha um esporte, uma linguagem em comum e ouvia Ramones, Oingo Boingo e Run DMC tinha dificuldades para se vestir como os ídolos americanos do skate.“Minha mãe pegava restos de retalhos e fazia algumas peças com estampas xadrezes, camufladas... Então meus amigos começaram a fazer encomendas”, explica. Nas mãos de dona Teru, nascia a Urgh!, que tinha em Kuge seu garoto-propaganda.

Roberta Goldfarb

A grife cresceu a passos largos,
pois o skate voltou a ser praticado com força total em São Paulo. Em 1985, a Urgh! patrocinou vários campeonatos e formou equipes que concorreram no Exterior. “O skate me fez pensar que nunca iria envelhecer. Tinha certeza
de que seria moleque a vida toda.
Quando sinto que estou muito sério e estressado, pego meu skate e saio de rolê por aí”, garante Kuge.