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Fotos: Arquivo Pessoal  
Em 1997, Alexandre foi seduzido pelo novo esporte numa prova na Nova Zelândia. Fundou a EMA e deu a difícil largada para implantar as corridas de aventura no Brasil  

Corrida de aventura
O pioneiro
Alexandre Freitas deixou o mercado financeiro
para fundar a Expedição Mata Atlântica, primeira
promotora de corridas de aventura do País.
Hoje, recupera-se de uma fatalidade
Celso Fonseca

"Durante muito tempo, eu admirei o homem Alexandre Freitas, hoje eu o admiro muito mais, incomensuravelmente. A sua força e energia me surpreendem a cada dia. Suportar as limitações impostas pela vida com plena consciência o faz dele um herói.” A declaração que chega, via e-mail, de Elza Henriques vem junto com uma entrevista com o próprio Alexandre, seu marido, também por e-mail. Há quase um ano, Elza assiste o marido, o paulistano Alexandre Freitas, num difícil caminho de recuperação física. Durante uma prova de corridas de aventuras na ilhas Fiji, um parasita endêmico da região se alojou no tronco de sua medula, provavelmente após a ingestão de verduras e peixes mal cozidos. A fatalidade tirou temporariamente de combate o pioneiro das corridas de aventuras no País. Alexandre teve seus movimentos, a visão e a fala afetados e passou um longo período em hospitais. Atualmente, atendido em casa, faz extenuantes exercícios com fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Nesta entrevista, ele revive sua história. A do bem-sucedido operador do mercado financeiro que trocou tudo pelo esporte. Precisamente, pela corrida de aventura, para ele um estilo de vida que abraçou com o costumeiro entusiasmo que contaminou uma legião de novos praticantes. Em 1998 criou a EMA (Expedição Mata Atlântica), promotora de corridas pioneira no País. Com o acidente, a organização das corridas está suspensa. Mas Elza mantém ativa a EMA escola, que introduz iniciantes no mundo da corrida de aventura em um final de semana em Bertioga, com noções de bike, canoagem e corrida, e o EMA empresarial, voltado para o estímulo ao trabalho de equipe nas empresas. O contato é ema@ema.com.br e o telefone, 5506-8349.

Diante de um quebra-cabeça, sob pressão

Fotos: Arquivo Pessoal
“É uma modalidade que faz do atleta um esportista completo. Também é uma atividade de equipe. É preciso cruzar a linha de chegada com todos juntos”

Alexandre, o que o seduziu nas
corridas de aventura? Você as
considera o esporte do futuro,
pelo ecletismo de modalidades
e pela sintonia com a natureza?
Quando participei pela primeira vez de uma corrida de aventura, a Southern Traverse, que foi na Nova Zelândia em 1997, percebi que esse tipo de esporte, as corridas de aventura, tinha tudo a ver com o Brasil, pois associava esporte e natureza. Pela extensão de nosso País e suas características geográficas temos uma variedade inigualável. E a necessidade constante de estratégia... Algo que sempre me seduziu e era uma constante em meu ex-trabalho, no mercado financeiro. Com certeza, a corrida de aventura é um esporte do futuro por englobar diversos esportes, o que faz do atleta um esportista completo. Também é uma atividade de equipe que precisa de trabalho em conjunto para o sucesso, que é cruzar a linha de chegada com todos os integrantes juntos. Assim, a estratégia tornou-se o diferencial das corridas em relação aos outros esportes, além de estarmos em ambientes selvagens. Havia, ainda, a difusão de conceitos de preservação ambiental, o que se dava através dos trabalhos socioambientais realizados durante as corridas, com a participação dos atletas.

Como foram os primórdios do Ema (Expedição Mata Atlântica), na implantação
de um esporte desconhecido no País?
No início era tudo muito difícil, pois todos desconheciam o esporte e aos olhos
dos leigos a corrida de aventura parecia “coisa de louco”. O esporte só foi implantado graças a muita insistência e investimento no que eu acredito que
seja o esporte para os tempos atuais. Sempre me preocupei com a segurança e investi em equipamentos e pessoal necessários para a realização das corridas. Após seis anos da primeira edição da Expedição Mata Atlântica, a situação
tornou-se muito diferente da inicial.

Qual é o futuro da corrida de aventura no País? Vai crescer, se consolidar
junto a praticantes e patrocinadores? E quais seriam as principais dificuldades deste mercado?
A corrida de aventura é um esporte caro por demandar equipamentos de última geração, que fazem a diferença para a performance das equipes. Uma situação
que não mudou desde 1998, mas que não é um empecilho para a consolidação
do esporte no País. A principal dificuldade para os organizadores é a segurança durante a realização do evento.

Para um atleta qual é o real prazer de se concluir uma prova?
É um grande desafio pessoal que se supera. Quando se apresenta a prova
aos atletas, parece um quebra-cabeça em que se tem de juntar todas as partes,
que parecem não se encaixar umas às outras, mas que tem que se decidir,
sob pressão, o que e como fazer. Quando se consegue terminar, o prazer é indescritível, principalmente quando se obtém o melhor resultado de uma equipe brasileira em uma prova internacional: oitavo lugar da equipe EMA BRASIL no Raid Gauloises do Vietnã em 2002.

Como anda sua recuperação, quais os progressos?
A recuperação tem sido o objetivo da minha vida e a fisioterapia, meu esporte diário.