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Malu corre, nada e pedala: o primeiro Ironman a gente nunca esquece  

Sem fadiga
Coração em paz
A atleta Malu Moura Andrade,
32 anos, 1,62 metro e 52 quilos, fala
da sensação de completar o Iroman,
quando nadou 3.800 metros,
pedalou 180 quilômetros e correu
42 quilômetros em florianópolis
Por Celso Fonseca

"Não sou uma atleta de explosão. Fiz a prova bem centrada, com consciência. O segredo é deixar o coração confortável. Não deixar ele subir na boca, porque não desce mais. Não sentir a fadiga nem ficar ofegante. Sofri bastante por ser uma prova dura, mas estava muito bem treinada. Fiz um treino específico durante seis meses. Na prova, me alimentei com pãezinhos Seven Boys com requeijão e power gel. Comi até menos do que precisava. Também tomei analgésicos. Quando você pedala, fica com dor nas costas, tem cãibras. Competir o Ironman não faz bem. Depois da prova, a barriga fica inchada, o músculo incha, seu metabolismo muda. Você engorda porque pára de treinar com tanta intensidade. O corpo envelhece. É só ver como algumas atletas gringas estão acabadas. A única enxuta é a Fernanda Keller. Mas o esporte vicia. Depois que você completa a prova e pára de treinar vem uma deprê. É como se fosse uma crise de abstinência. Fui a terceira na minha categoria com o tempo de 11h15. O instante da chegada é uma euforia. Oferecem soro, massagem, e você lá, toda elétrica e realizada. Só que no dia seguinte não dá para descer uma escada, dói tudo, é preciso um mês de recuperação muscular. Antes, você treina muito. Eu, por exemplo, nadava três vezes por semana, corria e pedalava quatro vezes e só tinha um day off a cada 21 dias. Quando estou treinando, perco a concentração, fico dispersa na leitura. Adoro ler livros, mas durante os treinos não consigo. Fico burra, lenta, muito cansada, não tenho pique para sair de casa. É um período muito egoísta, não dá para ter nem namorado, a não ser que seja alguém que treine com você. Mas eu quero competir de novo no ano que vem. Conheci grandes amigos nos treinos. Meu filho Otto, que não gosta muito de correr e pedalar, fica orgulhoso de mim, mas acho que ele tem ciúme porque é nesses momentos que estou mais ausente. O negócio dele é futebol.”