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Brasileiro
do Ano
Antônio Palocci é o escolhido de ISTOÉ como
Brasileiro do Ano 2003. Ministro da Fazenda do governo que completa
seu primeiro aniversário, ele se destacou em um ano difícil,
em que polêmicos ajustes econômicos foram efetuados,
com resultados estupendos na credibilidade externa, penosos reflexos
no panorama doméstico e a expectativa de 170 milhões
de brasileiros de que, depois da dureza do arado, o terreno esteja
devidamente preparado para o começo da colheita em 2004,
que deve ser o ano do crescimento. Em meio à aplicação
do que ele mesmo definiu como remédio amargo, referindo-se
à alta e à manutenção dos juros estratosféricos
até metade do ano, Palocci foi vítima de ataques e
pressões que obrigaram Lula a sair em sua defesa: “Eu
tenho um ministro em quem confio plenamente. Muitas vezes tem mais
bom senso e é mais equilibrado até do que eu”,
disse o presidente em Genebra, em junho. Sob fogo pesado, o ministro
se saía com respostas do tipo: “Não considero
isso críticas, mas, sim, contribuições para
o debate”, exibindo uma de suas qualidades, a diplomacia.
Mantida a calma, o resultado veio naturalmente: os juros apontaram
para baixo e iniciaram o processo de queda, trazendo no vácuo
a inflação. Agora esperam-se investimentos, produção
e empregos. Principalmente empregos.
Esta tranquilidade demonstrada por Palocci é também
um dos principais atributos de outro dos escolhidos. Brasileiro
do Ano na categoria Administração Pública,
o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, revelou a ISTOÉ
o segredo da eficiência de sua administração
e do seu consistente crescimento político, que aponta para
altos patamares da vida pública. Alckmin carrega na carteira
um bilhete que recebeu de seu pai aos 24 anos, quando era vereador
em Pindamonhangaba. Nele, Geraldo Alckmin, pai, aconselha o filho
a nunca decidir com a emoção e ensina a aguardar com
calma e seguir a razão para ter a perspectiva adequada para
a tomada de decisão.
A governadora do Rio, Rosinha Matheus, foi escolhida na categoria
Política. Filha de um ferroviário e de uma dona-de-casa,
ela é casada com o ex-governador Garotinho e consegue a incrível
proeza de aliar o desafio que é tocar um Estado como o Rio
de Janeiro a uma tarefa não menos hercúlea, que é
cuidar de nove filhos. Depois de ter trocado o PSB pelo PMDB, conseguiu
melhorar seu trânsito em Brasília e diz que, apesar
de 2003 “ter sido um horror, com recessão e desemprego,
Lula é bem-intencionado e torço para ele fazer o Brasil
crescer”.
Na categoria Terceiro Setor foi escolhido Raí por repetir
– agora à frente, junto com Leonardo, da Fundação
Gol de Letra – a elegância, a competência, o espírito
solidário e a capacidade de conseguir vitórias que
demonstrava, quando vestia a camisa 10 do São Paulo Futebol
Clube ou da Seleção Brasileira.
Bernardo Rocha de Resende, o técnico da vitoriosa seleção
brasileira de vôlei, foi escolhido na categoria Esporte. Bernardinho
é um técnico vencedor e um professor das artes da
persistência e obstinação que valem para qualquer
tipo de atividade. Mestre do trabalho em grupo, ele valoriza o indivíduo
em prol do time, o que também serve de exemplo para o nosso
dia-a-dia.
Edemar Cid Ferreira, escolhido na categoria Cultura, é
o banqueiro que tem atravessado fronteiras para levar o nome do
Brasil para o mundo, com uma capacidade empreendedora que é
bem definida por ele próprio: “A cultura é um
abre-alas. A gente vem atrás fazendo negócio. E o
meu negócio é abrir as portas do Brasil no Exterior.”
Néstor Kirchner, presidente da Argentina, é homenageado
como Personalidade Latino-Americana. Lula em recente entrevista
à ISTOÉ disse que nunca as relações
Brasil-Argentina foram tão saudáveis. E isto graças
aos dois presidentes, que sem arrogância e bairrismos, vêm
trabalhando juntos para fortalecer o poder de negociação
num mundo bastante conturbado e em nítida transformação,
onde saber antecipar os caminhos é fundamental para recuperar
a economia e a auto-estima de brasileiros e argentinos.
Hélio Campos Mello, Diretor de Redação
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