Abraço de afogado
Acuado pelo laudo de Molina, que confirma que ele
falou em lista na gravação do procurador, ACM envolve
líder do governo na violação do painel eletrônico
Andrei
Meireles, Mino Pedrosa
e Ricardo Miranda
| Dida
Sampaio/Ag. Estado |
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| Arruda
e ACM: parceria na lista que revela os votos na cassação de
Estevão |
Cada vez mais próximo de ser responsabilizado pela violação
do painel eletrônico do Senado, na sessão que tirou
o mandato de Luiz Estevão, o senador Antônio Carlos
Magalhães (PFL-BA) não quer caminhar sozinho até
o cadafalso pela quebra do decoro. Ele agora apresenta um parceiro
na empreitada: ACM tem dito a parlamentares e a assessores que foi
o líder do governo, José Roberto Arruda (PSDB-DF),
quem lhe entregou a lista com os nomes de todos os que votaram a
favor e contra Estevão. Outro fato só agora revelado
complica ainda mais a situação da dupla. Na véspera
daquela sessão, em junho do ano passado, Arruda contou a
alguns colegas entre eles, o atual líder do bloco
de oposição, senador José Eduardo Dutra (PT-SE)
que tinha como extrair do painel os votos de cada um dos
parlamentares na votação secreta. Só há
uma forma de acesso a essa lista: a violação do painel,
que é controlado pelo Serviço de Processamento de
Dados do Senado (Prodasen). Na época, dirigia o Prodasen
Regina Célia Peres Borges, nomeada por ACM a pedido de dois
fortes padrinhos, o próprio Arruda e o governador da Bahia,
César Borges, pupilo do cacique baiano. A perícia
feita por engenheiros de computação da Unicamp comprovou
que o painel é facilmente violável, uma peneira eletrônica.
ACM e Arruda têm feito outras parcerias, por exemplo para
tentar evitar o aprofundamento das investigações sobre
a fraude na votação na Comissão de Ética.
| Ricardo
Stuckert |
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ACM despacha com Fernando Cesar... |
Resultado de um acordo entre o PMDB e o PSDB, o líder tucano
Sérgio Machado (CE) enviou na sexta-feira 23 de março
um ofício à Comissão de Ética em que
comunicava a substituição de Arruda pelo senador Antero
de Barros (PSDB-MT) como titular na comissão. Com a concordância
do próprio Arruda, os dois partidos haviam acertado a indicação
de Antero como relator do processo contra ACM. Antônio Carlos
não gostou nada da escolha. Chamou Arruda para uma conversa
e colocou o líder do governo contra a parede. Se esse
rapaz for o relator, vou lá, sento e acabo contigo,
ameaçou o coronel baiano, segundo ele mesmo contou a senadores
e assessores. Na manhã da segunda-feira 26, Arruda melou
o acordo entre tucanos e peemedebistas, que tinha o aval do Palácio
do Planalto. Atendeu ACM e negou-se a abrir mão da vaga para
Antero. Um dia depois, fez pior. Sob o pretexto de que evitaria
a assinatura do senador Paulo Souto (PFL-BA) no pedido de criação
da CPI da Corrupção, orientou os colegas tucanos na
comissão a votar contra a convocação dos procuradores
da República Guilherme Schelb e Eliana Torelly para finalmente
falarem numa sessão secreta sobre o conteúdo da conversa
gravada no dia 19 de fevereiro que tiveram com Antônio Carlos.
Os carlistas sabiam que os procuradores acabariam confirmando a
informação divulgada por ISTOÉ
de que ACM dissera mesmo que tinha uma lista com os resultados de
uma votação supostamente secreta. A manobra de Arruda
e ACM só não deu certo porque Antero não topou
a armação e acusou publicamente o líder do
governo.
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