Brazil RLZ! Entrevista com "desfiguradores" brasileiros
Eva Mothci*
Brazil RLZ...o que é isso? Esta mensagem foi deixada em alguns sites invadidos por brasileiros e significa que o "Brasil domina" a cena hacker. Pode parecer megalomania, mas a verdade é que as ações dos grupos renderam ao Brasil, em janeiro último, dois títulos nada honrosos. De acordo com o Attrition.org, site de referência para invasões de hackers no mundo inteiro, em 2000 o País ficou em primeiro lugar no aumento do número de ataques a domínios na Internet. Ou seja, os hackers brasileiros foram os mais ativos durante o ano, desfigurando mais de 500 sites. Além disso, outro "recorde": os domínios .br foram os mais invadidos, batendo até mesmo os .com.
Terra Informática conversou com alguns dos mais conhecidos grupos de "desfiguradores" brasileiros: Prime Suspectz, Crime Boys, DataCha0s, Insanity Zine Corporation e Hfury Corp. Foram feitas as mesmas perguntas a todos. Outros grupos contatados não responderam. O objetivo era saber um pouco mais sobre esta turma, como os grupos se formam, o que eles pensam a respeito de suas ações e da repercussão, como lidam uns com os outros, o que fazem além de invadir páginas pela Web.
Nestes cinco grupos, os integrantes são bastante jovens. Em geral, não gostam muito de ser chamados de hackers. Admitindo ou não o desejo e o gosto pela fama, justificam o hábito de invadir e desfigurar páginas da Internet como demonstração ou teste de conhecimento e/ou como sinal de alerta aos administradores sobre falhas nos sistemas de segurança. Mas, querendo ou não, tornaram-se figurinhas carimbadas, nomes conhecidos no submundo da Internet.
Suas "obras" pela rede por vezes se resumem a transformar sites dinâmicos e coloridos em páginas brancas, com frases desconexas quase sempre escritas em um português muito ruim, protestos, agradecimentos e assinaturas, em preto. Em outros defacements (desfigurações), "recriam" as páginas invadidas colocando figuras, efeitos ou mensagens mais elaboradas. Conversando com eles, tem-se a impressão de que consideram tudo isso uma grande diversão. A maioria não acha que seja crime tirar um site do ar por algumas horas - "não roubamos nada" - e alguns apresentam um orgulho genuíno por estar "ajudando a melhorar a segurança dos sites".
Nesta reportagem, também incluímos uma entrevista relizada pelo site Infoguerra com Psaux,um hacker brasileiro que integra um grupo internacional e que gerou uma "guerra" no submundo depois de atacar o site da Securenet. Como curiosidade, e para mostrar que nem só de homens é feita a cena underground, o leitor pode conferir o "trabalho" de Evil Angelica, cujos defacements estão entre os mais bem-humorados da Internet.
* Colaboração de Giordani Rodrigues
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