Tendo estabelecido uma firme posição no mercado de servidores e conquistado devotos fiéis entre os programadores, o sistema operacional de fonte aberta Linux agora tem nas miras um novo alvo: as caixas registradoras. O sistema não está de olho no dinheiro das caixas, mas nas máquinas em si, que hoje em dia são computadores cada vez mais complexos que não só registram transações, mas oferecem informações de estoque, publicidade e serviços ao consumidor.O Linux pode ser usado, modificado e copiado livremente, diferentemente do Windows, da Microsoft, e vem ganhando aceitação crescente entre as empresas que esperam cortar custos em um ambiente econômico cada vez mais difícil. Steve Solazzo, gerente geral de Linux na IBM, diz que o setor de varejo está interessado no Linux devido a sua estabilidade e segurança, e não por ser gratuito. "O Linux realmente está mudando a cara do varejo", disse Solazzo à Reuters. "É o primeiro ou segundo assunto que os varejistas mencionam quando falam conosco".
De acordo com diversas estimativas, a IBM colocou suas caixas registradoras - tanto o software exclusivo que as aciona quanto o hardware - em metade dos pontos de venda hoje instalados nos Estados Unidos. Agora, instalando o Linux em seus produtos, como fez em seus servidores, a IBM espera manter os concorrentes distantes e aumentar o domínio sobre o mercado de infra-estrutura do varejo.
As máquinas eletrônicas do varejo, em geral substituídas em ciclos de cinco a 10 anos, geralmente operam com versões do Windows, ou mesmo do MS-DOS. Dado o alto risco de perda de clientes causado por um sistema defeituoso, o principal requisito imposto pelos clientes é a estabilidade e confiabilidade da plataforma que forem comprar. "O Linux certamente é séria ameaça ao Windows nos pontos de venda", disse Paula Rosenblum, analista da AMR Research.
A Microsoft, no entanto, alega que seus produtos Windows para aplicações de varejo oferecem diversas vantagens aos comerciantes, em relação ao Linux, tais como a capacidade de se integrar a outros softwares das Microsoft, desenvolvimento mais rápido e com menor exigência de suporte técnico.
Cinemas e lojas de departamento
De acordo com Solazzo, enquanto o setor de varejo vem brincando há algum tempo com a idéia do Linux, o crescimento real aconteceu durante o ano passado. "Eu acho que é seguro dizer que o negócio está crescendo a um ritmo de três dígitos por ano", afirmou o analista.
Como exemplo da invasão do Linux no mundo do varejo, a Regal Entertainment Group, maior operadora de salas de cinema dos Estados Unidos afirmou na quarta-feira que começou a usar o Linux em hardware da IBM para vender pipoca, refrigerante e outros petiscos em seus cinemas. A empresa também desenvolveu soluções Linux para outros grandes nomes, como a maior fabricante de tintas dos Estados Unidos, Sherwin-Williams, e a rede brasileira de varejo Casas Bahia.