O novo núcleo do sistema operacional livre Linux deve ser anunciado no início do segundo semestre do próximo ano sem modificações radicais, mas com melhorias que o ajudarão a competir no mercado doméstico com o praticamente onipresente Windows, da Microsoft. Entre as melhorias está um aumento da velocidade com que os diversos programas do sistema buscam dados no disco rígido."Vai ficar extremamente rápido. O usuário que instalar uma distribuição dele vai sentir a diferença na hora", afirmou à Reuters o mantenedor da última versão estável do núcleo do Linux, o brasileiro Marcelo Tosatti.
O núcleo de um sistema operacional, também chamada de "kernel", é a parte mais fundamental do software que opera um computador. Ele é responsável por várias funções, entre elas gerenciar recursos da máquina a programas como editores de texto e de Internet, e a comunicação entre vários dispositivos conectados ao computador.
A próxima versão comercial do kernel do Linux será a 2.6 e, segundo Tosatti, terá distribuições comerciais até o final do ano que vem. Além da maior velocidade de acesso ao disco rígido trará suporte ao padrão de comunicação de dispositivos USB 2.0, recentemente implementado pela Microsoft em seu sistema Windows XP. O USB 2.0 é a nova versão de um tipo de conexão que permite a instalação de dispositivos como câmeras de vídeo e outros aparelhos ao computador que necessitam de grande velocidade de transferência de dados.
Vários tipos de equipamentos também serão suportados pelo novo núcleo, como impressoras, scanners e máquinas fotográficas digitais, afirmou Tosatti, que tem 19 anos e que foi escolhido para o cargo no ano passado.
O novo kernel também trará uma infra-estrutura de programação mais sofisticada que vai facilitar a vida de quem escreve softwares para o sistema.
O novo núcleo do sistema operacional está sendo construído por cerca de 240 pessoas que contam com a colaboração de milhares de programadores ao redor do mundo.
Elas participam de uma lista de discussão técnica que nos últimos anos passou a contar com a contribuição explícita de programadores contratados por grandes empresas como a IBM, afirmou Tosatti. "As contribuições que estão sendo sugeridas pelas empresas acabam beneficiando os usuários finais", afirmou Tosatti, deixando claro que todas as implementações sugeridas por companhias não significam que o sistema será fechado ao acesso do público interessado em trabalhar nele.
Segundo o mantenedor do kernel 2.4, o interesse das empresas deu um tom mais comercial ao desenvolvimento do Linux, sistema que surgiu em 1991 quando o estudante de Ciência da Computação da Universidade de Helsinque, Linus Torvalds, divulgou seu kernel na Internet.
"O desenvolvimento era mais como um hobby (dos programadores), hoje as empresas estão dedicando mais desenvolvedores para que seus objetivos sejam atingidos. ficou mais profissional", afirmou Tosatti.
Quem estiver interessado em obter mais informações sobre o desenvolvimento do Linux pode acessar o site Linux Kernel Archives, ou LinuxOnline.