Informática

» Notícias

» Download

» Vírus e Cia.

» Ajuda

» Análises

» Colunistas

» Imagens

» Especiais

CANAIS

» IDG Now!

» PC World

» Wired News

» Computerworld

» Macmania

» Tucows

» Publish

» WD/Jobs

RELACIONADOS

» Outerspace

» Games

» Jornal do Brasil

» MP3Box

» Personal Web

BOLETIM

Username
Senha

Assinar
Cancelar


Sem Username?
BUSCA

digite + enter

» Terra Busca

Capa » Notícias

Infoguerra Microsoft é condenada por pirataria na França

Terça, 14 de maio de 2002, 10h51

Pouca gente sabia disso, mas a Corte Comercial de Nanterre, na França, multou a Microsoft em 3 milhões de francos por pirataria de software. A companhia foi condenada por ter incluído ilegalmente em seu programa chamado SoftImage 3D — um pacote de animações de alto nível — o código-fonte proprietário pertencente a outra empresa. A decisão ocorreu em setembro de 2001, mas só foi divulgada recentemente por Tina Gasperson, editora da NewsForge.

A única reportagem confiável a respeito havia sido redigida por Lionel Berthomier e publicada no jornal francês Le Monde Informatique. Uma versão em inglês foi divulgada pela PCWorldMalta em 28/11/01 — aproximadamente dois meses após a decisão daquela Corte. Mas até hoje, nenhum site de notícias importante, nem mesmo os tradicionalmente antiMicrosoft, havia publicado uma linha sequer a respeito. E nenhum dos concorrentes da MS aproveitou-se do ocorrido para uma desforra.

Mas o congressista peruano Edgar David Villanueva Nuñez trouxe a história à tona. Nuñez vem sendo chamado de "versão open source de São Tomás de Aquino" por ter elaborado uma resposta "Summa Compulogica" à carta que foi remetida pelo gerente geral da Microsoft no Peru, Juan Alberto González.

A Microsoft considerou que o envio dessa carta era imperioso porque, caso uma lei peruana fosse aprovada, o governo daquele país passaria a adquir e utilizar apenas os softwares de fonte aberta (open source). Da carta-resposta do congressista, destaca-se o trecho:

"Questões relacionadas à propriedade intelectual estão fora do escopo desta lei, uma vez que é protegida por outras leis específicas. O modelo de fonte aberta não implica, de modo algum, na ignorância dessas leis, e no fato da grande maioria do software livre ser protegido por direitos autorais. Na realidade, a inclusão dessa questão em suas observações veio demonstrar a sua confusão a respeito da estrutura legal na qual o software livre é desenvolvido. A inclusão da propriedade intelectual de terceiros nos trabalhos reivindicados como próprios não é uma prática que está sendo considerada pela comunidade do software livre; visto que, infelizmente, faz parte da área do software proprietário. Como exemplo, a condenação da Microsoft Corp. pela Corte Comercial de Nanterre, França, em 27/9/2001, a uma pena de 3 milhões de francos por perdas e danos e lucros cessantes, pela ocorrência de violação a propriedade intelectual (pirataria, utilizando-se o termo infeliz que sua empresa comumente usa em sua publicidade)."

Sim, a corporação que cunhou o termo "pirataria de software" foi considerada culpada de ter cometido esse mesmo crime. Utilizando-se os fatos descritos no artigo de referência da PCWorldMalta, delineou-se uma linha temporal básica acerca dos eventos que conduziram à decisão da Corte francesa:

1- Final dos anos 80: a Syn'X Relief, uma companhia de animações em CGI com sede em Paris, desenvolveu o Character, nome de uma ferramenta proprietária de animação, e procedeu ao seu registro no Instituto Nacional Francês da Propriedade Intelectual;

2- 1992: A SoftImage assinou um contrato com a Syn'X visando integrar as funções originais do Character ao programa SoftImage 3D, em troca do pagamento de royalties;

3- 1994: A SoftImage propõe à Syn'X uma alteração indecorosa ao contrato: a concessão dos direitos sobre o código-fonte do Character ou o rompimento do negócio. A Syn'X não concorda e, logo após, notícias informam que a Microsoft adquiriu a Softimage;

4- 1995: O contrato entre a Syn'X e a Microsoft/SoftImage é rompido, e a Microsoft declara que "o todo ou parte" do Character foi removido do SoftImage 3D. Mas de acordo com a Syn'X, a Microsoft/SoftImage excluiu somente uma função, e há pelo menos outras oito remanescentes. A Syn'X emitiu uma notificação de cessação e desistência do contrato, e acabou tendo que ajuizar uma ação na Corte francesa;

5- 1996: A Syn'X, com seus recursos esvaídos, declara falência e deixa o negócio;

6- 1997: os autores do Character integram a luta contra a SoftImage, em busca da preservação de seus direitos;

7- Setembro/2001: A Corte anuncia o seu veredicto: a Microsoft é multada em 3 milhões de francos (o que corresponde a míseros US$ 422 mil). A MS declarou que vai apelar da decisão.

O que o artigo da PCWorldMalta não menciona é que, durante o ano de 1998 e logo após o início do julgamento em si, a Microsoft livrou-se da carga trazida pela SoftImage, transmitindo-a à empresa Avid. Mas acabou tendo de adquirir uma porção minoritária desta empresa como parte do negócio.

A Avid divulgou em informação legal que possui os direitos autorais sobre todos os softwares divulgados em seu site. Inclusive sobre aquele que, certa vez, ficou conhecido como Microsoft SoftImage 3D.

(Omar Kaminski é advogado especializado em Direito da Informática e responsável pelo site Internet Legal)

Omar Kaminski

Volta para a capa | Volta para as notícias

Copyright © InfoGuerra 2000-2001. Todos os direitos reservados.



Fórum
Deixe a sua opinião sobre
esta notícia



Mais
Clique nas imagens para ler as notícias dos canais:

Wired News
IDG Now!
PC World
Computerworld
Macmania
WebWorld

Boletim
Receba notícias e outras informações por e-mail
 » Conheça o Terra em outros paísesResolução mínima de 800x600 © Copyright 2002,Terra Networks, S.AProibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie | Assine | Central de Assinate | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade