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Spam cresce 200% ao ano e enlouquece usuários

Quinta, 25 de abril de 2002, 17h24

Os "e-mails lixo" ou "spam", aqueles mentirosos ou não-solicitados que anunciam páginas eróticas, Viagra natural ou como ficar rico em meia hora, viraram uma praga que as autoridades não sabem como controlar. A Comissão Federal de Comércio (FTC, sigla em inglês) acaba de pôr fim a uma prática de "spam" que prometia fitas de videogame gratuitas mas que, de fato, dirigia os usuários a uma página de conteúdo pornográfico que cobrava US$ 3,99 por minuto.

Este é um exemplo de e-mail lixo, uma autêntica perturbação para os usuários individuais e para as empresas, que cresce a um ritmo vertiginoso de 200% ao ano segundo a companhia especialista em sistemas de "limpeza" virtual BrightMail.

A consultora Júpiter Media Matrix calcula que a partir de 2006 o usuário médio receberá a cada ano cerca de 1,5 mil e-mails lixo, ou seja, o dobro do que recebe agora, quando estima-se que 40% de todo o e-mail comercial seja "spam".

O "spam" - que também é o nome de uma carne enlatada de baixo preço, de onde o termo procede indiretamente - é usado para vender todo tipo de produtos: desde hipotecas a juros baixos a fórmulas para ficar milionário em minutos. Os "spammers", ou propagadores desta praga, dispõem de meios cada vez mais sofisticados para ocultar sua identidade e para obter, muitas vezes ilicitamente, milhares de endereços de e-mail. Além dessa tecnologia, a associação de defesa do consumidor ePrivacy Group denuncia que os "spammers" também propagam mentiras.

Segundo as autoridades, no caso das fitas de videogame, os usuários prejudicados receberam um e-mail que informava que tinham ganho uma fita Sony PlayStation 2 num concurso do Yahoo. Os usuários que responderam foram dirigidos a uma página falsa do Yahoo, que os instruía a instalar em seus computadores um programa que lhes permitiria solicitar o prêmio.

Mas, de fato, este programa os conectava com um site de conteúdo pornográfico que, sem advertí-los, cobrava US$ 3,99 por minuto através de um número de telefone pago. As autoridades tentam recuperar os US$ 11 milhões que esta operação gerou, porque acreditam que só os consumidores que leram as oito páginas em "letra miúda" foram capazes de saber que seriam cobrados antecipadamente.

"As condições diziam algo como: 'Não importa o que oferecemos, tudo o que dissemos é mentira'", segundo o diretor da divisão de direitos do consumidor do FTC, para quem esta "não é uma maneira aceitável de fazer negócios".

Mas apesar de ações deste tipo, e de páginas que se dedicam a rastrear a atividade, como a www.spamhaus.org, as leis são muito ambígüas e o afã pelo lucro alto e rápido permite que o fenômeno seja difícil de ser detido.

EFE

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