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Esportes News

SUPERANDO LIMITES: Surfista que teve as duas pernas amputadas,
após ser atropelado por um trem, mostra que o esporte ajuda na recuperação

Chegar às Paraolimpíadas de 2004, na Grécia, e até disputar um Ironman no Havaí. O sonho é do surfista de São Vicente, Paulo Eduardo Chieffi Aagaard , o Pauê, que vem mostrando, a cada dia, como o esporte é uma das melhores maneiras de recuperação e integração. Depois de ter as duas pernas amputadas, quando foi atropelado por um trem em junho do ano passado, o garoto de 19 anos não desanimou e vem treinando forte, já participando de travessias aquáticas. O surfe, como não poderia deixar de ser, também voltou a fazer parte de sua vida.
Usando duas próteses, ele vem tendo um vida quase normal. Na Academia Unimonte, treina natação e até faz aulas de bike indoor, que exige um grande esforço físico. Também já surfa com freqüência, incentivado, principalmente por Alcino Neto, o Pirata, que ficou conhecido por surfar as principais ondas do mundo, com uma perna só (foi atropelado por um motorista embriagado).

A animação é tanta, que Pauê sonha em fazer provas de triatlo e o temido Ironman. As Paraolimpíadas também estão no seu novo projeto de vida. “Sei que posso. Nunca desanimei e acho que isto é que me ajuda muito. Estou até vendo os índices para as competições. Tive a ajuda de muitos amigos, como o Pirata, que sempre me visitava no hospital, me dando forças”, afirma Pauê.

O acidente aconteceu há um ano, no dia 8 de junho de 2000, quando um trem que vinha com as luzes apagadas o colheu em São Vicente, no momento que atravessava o trilho. “Não escutei barulho e quando vi, era tarde. Tentei pular, mas fui pego”, recorda. No impacto, ele foi arrastado por vários metros e como conseqüência teve de amputar os membros inferiores das duas pernas (abaixo dos joelhos). Ficou internado por 56 dias. Correu risco de vida e chegou a ter parada respiratória.

Quem viu o seu quadro clínico talvez não acreditasse que em menos de um ano, ele estaria praticando esportes, competindo. A recuperação começou já em setembro, quando o médico Nelson D’ Luccia, especializado em cirurgias de amputação, conseguiu as próteses, para que Pauê voltasse a andar. “No começo foi difícil, precisei de muletas, mas daí foi calejando e peguei o jeito”, conta o surfista, que vem recebendo apoio da Unimonte, onde cursa a Faculdade de Fisioterapia, e da surfwear AntiQueda.

O retorno aos esportes foi com a natação, inicialmente usada como fisioterapia. Treinando com o experiente José Renato Borges, o Mosquito, que já participou de seis Ironman no Havaí, Pauê foi ganhando animação, força. O técnico o incentivou a competir, buscar objetivos. “Naquele momento eu já pensava em voltar a pegar ondas, porque surfo desde os 13 anos, mas daí também veio a vontade de fazer triatlo, porque estava convivendo com o pessoal. Vi o Rivaldo Martins competir e isto também me inspirou”, conta.

AGUARDANDO UMA PRÓTESE ESPECIAL - Hoje, Pauê anda normalmente e um dos segredos de sua recuperação é ser tratado normalmente pelos companheiros de treino e, acima de tudo, ele mesmo não se inferiorizar por causa da deficiência. Sempre alegre, extrovertido, vive rindo, fazendo piadas. “Nunca perdi as esperanças e acho que temos de sempre lutar pelo que queremos. Tenho de agradecer muito aos meus pais (Paulo e Cristina) e, é claro, a Deus, porque sem ele não estaria aqui e tendo esta força”, afirma o atleta, que para chegar às competições oficiais precisa de uma prótese especial.

A utilizada por ele atualmente é simples, pesada e não possui recursos para esportes – é feita para o uso cotidiano. Hoje existem equipamentos projetados especialmente para a obtenção de bons resultados em corridas, principalmente. A mais conhecida é a que tem um sistema que substitui o pé com calcanhar, por uma lâmina de grafite em forma de “gancho invertido”. Isto permite mais impulsão, por meio da transformação da energia potencial (pressão vertical sobre o chão) em energia cinética (movimento horizontal para a frente).

“A melhor é a fabricada pela Ottobok, na Alemanha. Mas ela é cara, fica em torno de seis mil dólares cada uma. O Valdir Lanza (pró-reitor administrativo da Unimonte) está me ajudando muito. Também tem o Rivaldo e o Cláudio Tanaka, dando força”, explica Pauê, que enquanto não consegue o novo equipamento, continua treinando diariamente. “O surfe também nunca deixo de lado. Inclusive o Almir Salazar (um dos três melhores shapers do Brasil) está fazendo uma prancha especial, reforçada para mim. Pretendo pegar ondas em muitos locais”, destaca.

FÁBIO MARADEI - FMA COMUNICAÇÃO
TELEFONES (13) 3239.2139 - 9761.4003
E-MAIL - fmaradei@terra.com.br

 

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