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26 roteiros do Nosso Litoral, um guia completo de cada região.
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SUPERANDO
LIMITES: Surfista que teve as duas
pernas amputadas,
após ser atropelado por um trem, mostra que o esporte ajuda
na recuperação
Chegar
às Paraolimpíadas de 2004, na Grécia, e até
disputar um Ironman no Havaí. O sonho é do surfista
de São Vicente, Paulo Eduardo Chieffi Aagaard , o Pauê,
que vem mostrando, a cada dia, como o esporte é uma das
melhores maneiras de recuperação e integração.
Depois de ter as duas pernas amputadas, quando foi atropelado
por um trem em junho do ano passado, o garoto de 19 anos não
desanimou e vem treinando forte, já participando de travessias
aquáticas. O surfe, como não poderia deixar de ser,
também voltou a fazer parte de sua vida.
Usando duas próteses, ele vem tendo um vida quase normal.
Na Academia Unimonte, treina natação e até
faz aulas de bike indoor, que exige um grande esforço físico.
Também já surfa com freqüência, incentivado,
principalmente por Alcino Neto, o Pirata, que ficou conhecido
por surfar as principais ondas do mundo, com uma perna só
(foi atropelado por um motorista embriagado).
A
animação é tanta, que Pauê sonha em
fazer provas de triatlo e o temido Ironman. As Paraolimpíadas
também estão no seu novo projeto de vida. Sei
que posso. Nunca desanimei e acho que isto é que me ajuda
muito. Estou até vendo os índices para as competições.
Tive a ajuda de muitos amigos, como o Pirata, que sempre me visitava
no hospital, me dando forças, afirma Pauê.
O
acidente aconteceu há um ano, no dia 8 de junho de 2000,
quando um trem que vinha com as luzes apagadas o colheu em São
Vicente, no momento que atravessava o trilho. Não
escutei barulho e quando vi, era tarde. Tentei pular, mas fui
pego, recorda. No impacto, ele foi arrastado por vários
metros e como conseqüência teve de amputar os membros
inferiores das duas pernas (abaixo dos joelhos). Ficou internado
por 56 dias. Correu risco de vida e chegou a ter parada respiratória.
Quem
viu o seu quadro clínico talvez não acreditasse
que em menos de um ano, ele estaria praticando esportes, competindo.
A recuperação começou já em setembro,
quando o médico Nelson D Luccia, especializado em
cirurgias de amputação, conseguiu as próteses,
para que Pauê voltasse a andar. No começo foi
difícil, precisei de muletas, mas daí foi calejando
e peguei o jeito, conta o surfista, que vem recebendo apoio
da Unimonte, onde cursa a Faculdade de Fisioterapia, e da surfwear
AntiQueda.
O
retorno aos esportes foi com a natação, inicialmente
usada como fisioterapia. Treinando com o experiente José
Renato Borges, o Mosquito, que já participou de seis Ironman
no Havaí, Pauê foi ganhando animação,
força. O técnico o incentivou a competir, buscar
objetivos. Naquele momento eu já pensava em voltar
a pegar ondas, porque surfo desde os 13 anos, mas daí também
veio a vontade de fazer triatlo, porque estava convivendo com
o pessoal. Vi o Rivaldo Martins competir e isto também
me inspirou, conta.
AGUARDANDO
UMA PRÓTESE ESPECIAL - Hoje, Pauê anda
normalmente e um dos segredos de sua recuperação
é ser tratado normalmente pelos companheiros de treino
e, acima de tudo, ele mesmo não se inferiorizar por causa
da deficiência. Sempre alegre, extrovertido, vive rindo,
fazendo piadas. Nunca perdi as esperanças e acho
que temos de sempre lutar pelo que queremos. Tenho de agradecer
muito aos meus pais (Paulo e Cristina) e, é claro, a Deus,
porque sem ele não estaria aqui e tendo esta força,
afirma o atleta, que para chegar às competições
oficiais precisa de uma prótese especial.
A
utilizada por ele atualmente é simples, pesada e não
possui recursos para esportes é feita para o uso
cotidiano. Hoje existem equipamentos projetados especialmente
para a obtenção de bons resultados em corridas,
principalmente. A mais conhecida é a que tem um sistema
que substitui o pé com calcanhar, por uma lâmina
de grafite em forma de gancho invertido. Isto permite
mais impulsão, por meio da transformação
da energia potencial (pressão vertical sobre o chão)
em energia cinética (movimento horizontal para a frente).
A
melhor é a fabricada pela Ottobok, na Alemanha. Mas ela
é cara, fica em torno de seis mil dólares cada uma.
O Valdir Lanza (pró-reitor administrativo da Unimonte)
está me ajudando muito. Também tem o Rivaldo e o
Cláudio Tanaka, dando força, explica Pauê,
que enquanto não consegue o novo equipamento, continua
treinando diariamente. O surfe também nunca deixo
de lado. Inclusive o Almir Salazar (um dos três melhores
shapers do Brasil) está fazendo uma prancha especial, reforçada
para mim. Pretendo pegar ondas em muitos locais, destaca.