O colunista Doug Cuthand esperava controvérsia quando sentou-se para escrever um artigo comparando os palestinos que buscam um Estado soberano aos índios canadenses nativos, como ele. Por mais de uma década, o jornalista de Saskatoon, cidade da província de Saskatchewan, escreve sobre assuntos polêmicos. Seus pontos de vista sobre o sistema judiciário, a política local e o tratamento que o Canadá dá a seus povos aborígenes às vezes enfurece os leitores.
Desta vez, porém, os leitores nem tiveram a chance de ler sua coluna. Os editores do jornal Star-Phoenix cortaram o artigo, a única vez que isso aconteceu a Cuthand em mais de 500 textos.
Isolada, a história não é incomum - muitos articulistas veteranos já tiveram sua coluna cortada. Mas o episódio tornou-se parte de uma batalha maior sobre a liberdade de imprensa na CanWest Global Communications Corp., a maior e mais influente empresa de jornalismo escrito do Canadá.
Os editores disseram a Cuthand que sua coluna não tinha "precisão histórica". Colegas na redação sugeriram que era "anti-Israel" demais para um jornal que pertence à CanWest, controlada pela família Asper, de Winnipeg, que apóia o Estado judaico.
"Conheço a história dos Aspers, e não achei que eles fossem gostar. Mas acho que a coluna era um comentário justo"', disse Cuthand à Reuters.
Cuthand não é o único jornalista insatisfeito no grupo de mídia. Dois redatores no jornal de Halifax pediram demissão depois que suas colunas foram censuradas, e repórteres, sindicatos e comentaristas da mídia acusam a CanWest de interferência editorial e censura ostensiva.