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Renato Machado encara reconhecimento com humildade

Domingo, 30 de dezembro de 2001, 09h19

Foto: Eduardo Medeiros
TV Press

A voz aveludada de Renato Machado é inconfundível. A maneira informal e bem-humorada de comandar o Bom Dia Brasil também já virou marca, por mais que jornais como Fala Brasil, da Record, e Jornal Hoje, da própria Globo, tentem imitá-la. A forma original com que comanda o telejornal é um dos motivos que levaram o Bom Dia Brasil a ser escolhido como o Melhor Telejornal de 2001 na eleição "Melhores & Piores" de TV Press, que reuniu os votos de editores de cadernos de televisão de 70 jornais de todo o país. Renato também foi o preferido na categoria "Melhor Apresentador de Telejornal". "O mérito é da equipe", minimiza.

Renato confessa que não sabe distinguir até onde seu estilo influenciou o telejornal ou vice-versa. No entanto, não esconde que já guardava há anos a idéia de apresentar uma revista matinal. "Sempre pensei em apresentar um telejornal como o Bom Dia Brasil", explica.

O que você acha do Bom Dia Brasil ter ganho pela segunda vez consecutiva como o "Melhor Telejornal" na eleição "Melhores & Piores" de TV Press?
Que a equipe do Bom Dia Brasil está atingindo o objetivo. Porque a eleição é feita com editores, parte de nosso público-alvo, que são os formadores de opinião. Um espectador realmente mais informado. O ideal é que, talvez, esta eleição também tivesse uma votação popular, para ficar mais completa. Embora o gosto do espectador já seja medido pela audiência. E isso nós estamos aumentando ano após ano. Desde que estreamos em 1996, somos líder no horário. Observo que temos um aumento de Ibope consistente e sustentado. Sei que temos um público grande entre os 35 e 50 anos. O horário também já é naturalmente seletivo. Fico orgulhoso com o prêmio, mas é mérito da equipe e dos comentaristas.

Mas você ganhou também, e pela segunda vez, como "Melhor Apresentador de Telejornal". Dar a notícia com um toque de informalidade e bom humor é o seu grande trunfo?
Talvez. Mas este tipo de comportamento é reflexo de um estudo sobre a mudança de estilos dos apresentadores da Globo, realizada pelo finado Evandro Carlos de Andrade em 1995. Foi quando a emissora decidiu que os telejornais deveriam ser comandados e apresentados por jornalistas. O Bom Dia Brasil foi todo bolado dentro da emissora, mas tive liberdade para pensar no formato e escolher a equipe. Este estilo do Bom Dia Brasil já era um germe que estava na minha cabeça há muito tempo. Pensava em comandar uma revista matinal.

O que você acha da fórmula do Bom Dia Brasil estar sendo copiada por outros telejornais?
Realmente é mais que evidente que o Bom Dia Brasil está influenciando outros telejornais. Sinto isso, claro. Mas esta repetição da fórmula faz com que hoje os telejornais estejam mais vivos. Até mesmo os telejornais locais agilizaram muito os formatos. Isso significa, volto a dizer, que o Bom Dia Brasil está no caminho certo. A televisão tem de se aproximar do espectador e fazer parte da vida dele. Sobretudo jornais matutinos e noturnos, que já têm vocação para a reflexão.

Você não tem medo de que acabem banalizando a fórmula do Bom Dia Brasil?
Mas a fórmula se renova a cada dia. É para isso que a gente está aqui. Primeiro cria-se o hábito no espectador e depois as mudanças são absorvidas naturalmente. Muitas colunas deixaram de existir no nosso telejornal e outras entraram. Mudamos o cenário há menos de um ano. Além disso, temos novidades, como mostrar o mapa do tempo com imagens ao vivo do Brasil inteiro.

Mas o Bom Dia Brasil sofreu uma baixa considerável, que foi o colunista Ricardo Boechat. Você sentiu particularmente a saída relâmpago dele?
Foi uma saída não planejada. Ele era um colunista específico, mas que também atuava em diversos focos de informação. Além disso, dava vários furos e tinha ótimo bom humor. Claro que senti a sua saída. Mas o ano de 2001 foi bom, de uma maneira geral. Para o 'hard news' foi ótimo. Tivemos tremendos acontecimentos. Tragédias ou mudanças beneficiam os jornais, porque acabam tendo o que mostrar. Mas 2002 não sei. Aprendi a não fazer previsões com os economistas brasileiros.

Rodrigo Teixeira
TV Press

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