Deixe as superstições de lado
O ser humano já nasce supersticioso. Talvez isso se deva à sua extrema fragilidade: a muitos de nós deve parecer bastante incômodo estar rodando numa esfera, em pleno espaço, sem muita clareza do que pode acontecer, no caso de um acidente inesperado. Tudo aquilo que se coloca fora da ordem estipulada, ou se afasta da organização equilibrada, se abre para inúmeras interpretações, na maioria das vezes, negativas. Foi assim que agosto virou mês de cachorro louco; que tarde quente de ventania, se tornou propícia para achar sacis; que sol e chuva juntos fazem casar viúvas; que morar no 13º andar, ou na casa 13, dá má sorte e que ano bissexto é de preocupações e dificuldades, principalmente no que diz respeito aos casamentos. Há mesmo pessoas que evitam se casar no ano que tem um dia a mais. Esses eventos, quando tomados como verdade por um grande número de pessoas, acabam por fixar as dificuldades a eles atribuídas. Quando muita energia é despendida de uma só vez, a um mesmo alvo, acaba por transformar uma possibilidade em uma verdade. Talvez nas conjunções astrais pessoais, nas artes da consulta astrológica, o ano bissexto possa ser nefasto e levar um indivíduo ou outro a perdas e tristezas. Mas isso não parece poder ser coletivo. Talvez sejam apenas situações isoladas. Para escapar da negatividade do ano bissexto, pense de forma positiva: não importa quantos dias tem fevereiro. Se tiver um a mais, é porque se merece ser feliz por mais esse período, ou porque se vai envelhecer apenas um dia a mais, a cada quatro anos. Perceba que o número de dias que há em um mês não pode fazer um casamento dar errado, ou mesmo anular um amor, desde que ele exista. Fique feliz pela vida, por ter um dia a mais para viver a cada ano bissexto. Abandone as superstições e encare a realidade, que não se deixa envolver por dados tão bem explicados pelas ciências da natureza. Para quem vive em paz consigo mesmo, cumprindo suas tarefas de forma adequada, qualquer mês é bom, e pode trazer surpresas inesperadas. Confie e espere.
Marina Gold/Especial para o Terra
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