Proteção em excesso causa desequilíbrio
O caracol é um ser que carrega a casa nas costas e se isso, por um lado, o protege das intempéries, deixando-o a salvo da chuva, do vento e dos pequenos predadores; por outro, atrasa sua caminhada, pois a carapaça parece pesada e incômoda. É no terreno sentimental que as pessoas mais se parecem com caracóis. São aquelas que querem saber de antemão se o possível namoro vai dar certo, se há perigo de traição ou perda, se não seria melhor recuar. Óbvio que sempre é preciso ter cautela. Mas, cuidado demais pode ter o efeito que a casa tem para o caracol: seu peso excessivo acaba impedindo o equilíbrio e a harmonia. Assim, inúmeras pessoas se defendem de amar e põem a casa nas costas, tentando esperar por todas as garantias, para só depois se apaixonarem. A essa altura, o gasto de energia foi de tal amplitude, que provavelmente não sobrou nenhuma dose para o romance evoluir, se é que conseguiu se iniciar. Tentar uma relação consciente, em que não se desenvolva uma situação de dependência, e sim de companheirismo, é a primeira atitude que retira a casa das costas. Ter sinceridade e saber acolher a verdade é outro fator indispensável. Conviver sem depender, amar sem sufocar, repartir sem cobrar, são comportamentos que libertam da carapaça, portanto, indispensáveis para quem tenta acertar o caminho nesse território tão difícil, que é o amoroso. Como é possível, então, conseguir uma liberdade maior, desvencilhando-se do peso que ao proteger, atrapalha? Os caracóis não sabem. Eles apenas desenvolvem o duro invólucro, porque criaturas moles que são, não sabem como se defender, sem enrijecer. Mas nós não somos caracóis. Nós podemos nos tornar mais fortes por meio de atitudes corretas e da busca constante da melhoraria dos sentimentos pessoais, evitando o que é indevido ao homem: a raiva, a inveja e a cobiça. Assim, é possível ter o equilíbrio interior para viver uma relação sólida e duradoura, construindo uma casa para dois.
Marina Gold/Especial para o Terra
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