Use a sabedoria oriental para seu desenvolvimento humano
Pensando na importância do desenvolvimento humano, gostaria de relembrar uma história de Balan, sábio oriental famoso por sua paciência e modéstia. Dois homens profundamente materialistas gostavam de fazer apostas que envolviam sempre boas somas de dinheiro. Certo dia, no Café Central, entre conversas que se cruzavam, alguém comentou que o homem mais equilibrado da cidade, aquele que nunca se descontrolava, era o sábio Balan. Imediatamente um dos apostadores desafiou: "Sei que, facilmente, conseguiria irritar esse tal sábio". "Duvido", reagiu de imediato o outro, "aposto que você não teria êxito". Fizeram, então, uma aposta de muitas moedas — equivalente a vários salários de um trabalhador — e saíram correndo a procura do sábio. Em sua silenciosa casa, tranqüilamente, Balan estudava um enorme livro cheio de justas homenagens aos homens mais ilustres de todos os tempos. De repente, da rua, um grito chegou aos seus ouvidos. Quem berrava de forma tão desrespeitosa no portão de sua casa? "Balan? É o tal sábio Balan que mora aqui?" Sem zangar-se, levantou de sua mesa de trabalho e foi atender o desconhecido. "Meu querido amigo, deseja algo?", perguntou polidamente. "Tenho uma pergunta importante", disse o visitante fingindo inocência. "Se você é tão sábio, por que continua estudando todos os dias?" Balan percebeu que não estava sendo tratado com a honra merecida, mas não se contaminou pela insolência do tom ou da pergunta. "Esta é realmente uma indagação importantíssima", comentou serenamente. "A resposta é que somos todos, nessa vida, como bebezinhos... e, assim, precisamos de muito estudo para amadurecermos um pouquinho que seja". O apostador agradeceu e partiu frustrado. "Ainda hoje faço ele explodir", pensou. Dez minutos depois, a cena se repete. Gritos tiram Balan da sua compenetrada leitura. "Meu prezado amigo, posso ajudá-lo mais uma vez?" "Quero perguntar outra coisa", disse o homem desafiadoramente. "Se você é tão sábio, não se cansa de estudar todos os dias? Seus olhos devem arder e incomodar muito". "Eis uma pergunta profunda", disse o sábio sorrindo calmamente. "O que posso dizer é que estamos todos atravessando um enorme deserto, o vento sopra sem parar e levanta muita areia, nossos olhos ficam feridos, mas, com coragem, precisamos prosseguir". O apostador, outra vez, foi embora furioso. Voltou dez minutos depois e a cena se repetiu. Não contente, retornou outras quatro vezes até que seu grito, rouco que estava, não ecoasse mais tão poderosamente pela vizinhança. Na sétima e última investida, Balan, como sempre, o recebeu pacificamente: "Outra questão de peso meu caro amigo? Pergunte o que quiser, abra seu coração, estou ouvindo com atenção". "Não", interrompe furioso o apostador. "Agora vim para contar a verdade. Acabei de perder uma grande soma de dinheiro. E tudo por sua culpa, por causa de uma aposta". "Por que? O que aconteceu?", indagou Balan tentando acalmá-lo. Com lágrimas nos olhos, o homem falou da aposta que tinha acabado de perder. "Agora sim", disse Balan com o rosto iluminado. "Temos, diante de nós, uma verdadeira oportunidade para transformar nossa estranha conversa ao longo do dia de hoje em um verdadeiro aprendizado. Entenda que você não deve fazer apostas na derrota de um homem. Como demonstrei para você, o importante é construirmos com os outros, assim como fiz com você, uma relação de compreensão e confiança". Como seria interessante e produtivo entendermos, com boa vontade, esse ensinamento. Que a paz de espírito e a tranqüilidade de Balan nos sirva de referência. Assim, inspirados nessa sabedoria, avançaremos positivamente para a harmonia de entender os demais, de repudiar desafios estéreis, de encontrar maior justiça e lucidez.
Marina Gold/Especial para o Terra
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