Amigos são presentes de Deus
Quem tem amigos nunca está sozinho. A cada novo conhecimento, um novo mistério, uma nova personalidade a desvendar, alguém a mais com quem contar no mundo, a compreender-nos e a oferecer a oportunidade de aprendermos coisas até então desconhecidas. A delícia de ter amigos é poder escolhê-los, sem que nenhuma circunstância além da simpatia e afinidade interfira na mágica que só o desvendamento de outro ser humano pode apresentar. Não ter amigos, ou ter dificuldade em encontrá-los, expressa uma circunstância tão carmática quanto aquela de não encontrar um amor. Parece que quem não providenciou bons amigos num plantio anterior, da mesma forma que quem não se empenhou em se acertar com um amor, pode e deve tomar enérgicas providências para superar o problema: ser mais acessível, ou menos exigente; entender os demais sem os julgar; espantar a timidez e a insegurança percebendo que muitas vezes o outro é mais inseguro ainda e, por isso, às vezes até mais infeliz. Arrumar um novo amigo é ter despertada a curiosidade mais saudável e mais humana. É querer saber se ele gosta de cantar, se joga cartas, se tem interesse por poesia ou por política. Tem algum ídolo? Vai ao cinema? Acredita em vida após a vida? Prefere o verão? Já teve um cão? Ter um novo amigo é se reencontrar consigo mesmo, se aprender mais uma vez. Descobrir formas novas de ser e se expressar. Por isso, é uma maneira de se reapresentar a si mesmo. Por causa de todos esses motivos, é possível dizer, sem ter medo de errar, que amigos são presentes de Deus.
Marina Gold/Especial para o Terra
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