Só é possível ler o futuro que já está definido
Há ocasiões, no transcorrer da vida, em que uma pessoa fica cara a cara com seu próprio destino. Sempre que acontecem modificações profundas em sua rotina existencial, os envolvidos precisam fazer novas escolhas e se posicionar frente às circunstâncias que se apresentam. Em geral, perdas, separações e afastamentos levam o ser humano a não ter outra saída, senão se reorganizar. Sendo todo recomeço um renascimento, uma pessoa nessas condições inaugura um ciclo em que a preparação de seu "novo" futuro passa a ser determinada pela sua própria vontade e responsabilidade. Ou ela mesma se movimenta em busca de uma situação diferente, ou corre o risco de permanecer sem nenhuma alteração de vida. Se a um vidente é atribuída a faculdade de ler o futuro, essa condição, no caso de um reinício de vida, pode ser substituída pelo levantamento das possibilidades de escolha de que o indivíduo dispõe, mostrando os pontos favoráveis, os aspectos positivos, assim como os riscos que as novas situações podem apresentar. Numa circunstância dessas, não há exatamente uma leitura facilitadora do futuro, porque o carma se expressa justamente na missão de definir um novo caminho, com os recursos adquiridos anteriormente. Casos assim são tão raros, que acabam por se constituir em exceções Se uma pessoa tem a missão de se posicionar para o acerto de uma vida nova, com todas as dificuldades que isso expressa, é porque está frente a um desafio, que pode ser entendido como um carma a superar. Atendi uma jovem senhora na condição aqui descrita e percebi, na nossa breve entrevista, que só é possível ler o futuro que já está definido. Clareza sobre limitações e alcances é o melhor que um vidente pode oferecer quando a necessidade é definir tudo de novo, a partir do ponto zero.
Marina Gold/Especial para o Terra
|