Entre o ver e o não-ver
Mesa de vidência é assim: há pessoas que se consultam apenas uma vez, outras que voltam depois que as coisas acontecem, outras ainda que aparecem sempre - claro que num ritmo adequado - e aquelas que não voltam mais. Dentre esses clientes que retornam com certa freqüência, e por quem acabo desenvolvendo grande afetividade, há um para quem, a partir de uma certa consulta, veio um intrigante e incompreensível aviso: Cuidado com o "hominho", significando "homenzinho". Em todas suas consultas essa advertência aparecia, sem que eu pudesse entender seu verdadeiro sentido. Há pouco mais de dois meses, meu cliente sofreu um acidente de moto, veículo usado por ele para o trabalho diário. Felizmente, apesar de um sério ferimento na perna, não houve dano irreparável. Foi exatamente ali, no momento do desastre, que ele descobriu quem era o "hominho" com quem deveria tomar cuidado: de repente, na grande avenida que ele percorria, vindo de trás de um enorme caminhão, saiu um homem de pequena estatura, vendendo pacotinhos de amendoim, completamente embriagado. Ali estava, enfim, na frente dele, o "hominho" que ele se esforçou por não atropelar. Para tanto, teve de improvisar uma manobra, que acabou por fazer a moto se erguer e cair sobre sua perna, ferindo-o gravemente. Apesar da vidência do perigo, ou antes, do "hominho" causador do perigo, não foi possível esclarecer suficientemente a mensagem, para conseguir evitar o risco. Isso ocorre sempre que uma pessoa tem de passar por uma circunstância difícil. Mesmo consultando um esotérico, não é possível evitar aquilo que lhe está pré-destinado, pois faz parte de sua estória de vida e do inventário de experiências que ele veio para vivenciar, a fim de se tornar uma pessoa mais liberta e melhor resolvida. Não é permitido, por melhor que seja o sensitivo, evitar uma vivência que, apesar de muito dolorosa, é indispensável para o crescimento daquele ser humano. Só é possível interferir, quando Deus permite. Esse caso é o único em que o vidente vê, ou melhor, já está ali para ver e evitar.
Marina Gold/Especial para o Terra
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