A despedida
Leiam a experiência vivida por Dora, quando ela tinha apenas seis anos. O relato dessa vivência, ainda tão presente na memória dela, mostra que crianças pequenas, muitas vezes enxergam fatos do mundo espiritual que nós, adultos, já não conseguimos mais observar, acostumados com outras maneiras de recepção e sensibilidade. Meus pais tinham um grande amigo chamado Peu. Eu o chamava de Tio Peu. Certo dia, fomos ao seu bar e ficamos até muito tarde com sua esposa, esperando-o chegar. Ele havia saído de Jipe, para passear. Como ele estava demorando muito e nós já sentíamos sono, fomos para nossa casa. Eu dormia numa rede e, naquela madrugada, acordei com a rede balançando. Tirei o cobertor, descobrindo a cabeça e ia me levantando para ir ao banheiro, quando vi o Tio Peu olhando para mim. Perguntei o que ele estava fazendo ali, mas ele nada me respondeu. Resolvi me levantar para ir ao quarto dos meus pais, falar sobre minha visão, quando bateram na porta da nossa casa. Meu pai foi atender. Era um outro amigo dando a notícia que Tio Peu tinha sofrido um acidente na “curva da morte”, assim conhecida na região, por sua alta periculosidade. Eu tinha apenas seis anos, mas nunca esqueci este momento. Acredito que ele foi se despedir de mim, pois eu era muito apegada a ele.
Marina Gold/Especial para o Terra
|