Uma nova chance
Compartilho com você a vivência de Cacá. É possível perceber que se trata de uma experiência de "quase morte" e que, apesar de parecer uma "invenção" ou "delírio", ocorre com mais freqüência do que se possa supor. Leiam comigo: No parto da minha quarta filha, os médicos me perderam. Percebi que não estava mais no meu corpo quando a enfermeira que media minha pressão entrou em pânico. O anestesista, que havia saído para atender a um telefonema, voltou correndo. Ouvi os passos, vi que ele estava tentando ouvir meu batimentos, apertando meu pescoço. Mas ainda estava deitada, encarando a enfermeira, que via meus olhos fechados. Depois me vi em pé, ao lado do médico e pensando: "pode até demorar, mas não saio daqui". A outra enfermeira, que aplicava medicamentos para me reanimar, também entrou em pânico e acabou aplicando tudo, pois não conseguia fazer a medida necessária. Acabei me vendo em um lugar todo azul, com muitas macas e, bem no fundo, diversas pessoas vestidas de branco. Eu estava deitada em uma maca. Parecia um hospital, mas era completamente diferente do que eu conhecia. O lugar era muito limpo. A paz que eu sentia era incomparável, não sei nem descrever. Então, de repente, ouvi o choro da minha filha. Senti-me puxada fortemente, como se caísse num túnel de sucção, e ouvi um dos médicos dizendo que eu havia voltado. Foi uma experiência incrível. Sempre acreditei em reencarnação e espíritos, mas não era espírita. Meu avô, que é Kardecista, sempre me contou histórias sobre como era logo após a morte, mas acho que nunca acreditei que havia um hospital lá. Acho que, por causa das explicações dele, fiquei calma o tempo todo e sabia o que estava acontecendo. O choro da minha filhinha me trouxe de volta. Ela é meu anjinho.
Marina Gold/Especial para o Terra
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