O polêmico escritor Salman Rushdie, que passou anos vivendo sob a ameaça de uma sentença de morte islâmica, ou fatwa, expedida pelo Irã por causa do seu livro Os Versos Satânicos, afirmou no sábado que a religião é um tema central na guerra dos EUA contra o terror. "Vamos começar a chamar as coisas pelo nome. É lógico que se trata do Islã", escreveu ele no jornal The Guardian, desafiando abertamente as repetidas alegações dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha de que a aliança anti-terror, formada pelos dois países, não tem nenhuma discórdia com o mundo muçulmano.
Rushdie, que foi forçado a viver escondido quando o falecido aiatolá Khomeini proclamou a fatwa contra ele, em 1989, acusou os fundamentalistas islâmicos de terem deturpado a religião. Ele descreveu a visão do Islã, tida por um grande número de homens islâmicos como "desordenada" e "incompleta".
"Este Islã paranóico, que culpa os de fora, 'infiéis', pelos males das sociedades muçulmanas e cuja solução sugerida é fechar essas sociedades para o projeto de modernidade, considerado rival, é atualmente a versão do Islã que mais cresce no mundo", declarou.
Rushdie afirmou que, desde os ataques de 11 de setembro em Nova York e Washington, as vozes dos muçulmanos moderados, que antes eram tímidas, finalmente começaram a ser ouvidas.
"Se o Islã tiver de se reconciliar com a modernidade, essas vozes precisam ser encorajadas até virarem um grande rugido", escreveu Rushdie.
"Para derrotar o terrorismo, o mundo do Islã precisa colocar em pauta os princípios seculares e humanistas sobre os quais é baseada a modernidade, e sem os quais a liberdade de seus países vai continuar a ser um sonho distante", concluiu.
Os Estados Unidos -- com o apoio da Grã-Bretanha -- vêm bombardeando o Afeganistão por quase quatro semanas numa tentativa de capturar o extremista muçulmano saudita Osama bin Laden, acusado de ser o mentor intelectual dos ataques de setembro e de muitos outros.
Reuters
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