Os discófilos vão gostar. A Phillips promete lançar no próximo mês o primeiro aparelho de Super Audio Compact Disc (SACD) do mercado brasileiro. O formato, que chegou às lojas dos Estados Unidos e de países da Europa no fim de 1999, com tecnologia desenvolvida numa parceria da fabricante holandesa com a Sony, é apresentado como uma evolução lógica do CD, oferecendo qualidade sonora ainda mais apurada."Quando o CD foi lançado, os especialistas não gostaram; achavam que o vinil era melhor e esperavam algo tecnicamente superior. Essa é a nossa resposta", frisa o gerente de produtos da Phillips, Antonio Rabibti.
Tecnicamente, a melhoria oferecida agora consiste na não compactação das faixas sonoras, ao contrário do que acontece nos CDs. Rogério Molina, diretor de tecnologia da Sony - que planeja lançar dois modelos de SACD no Brasil entre novembro e janeiro de 2002 -, explica: "Quando passamos do LP para o CD, ganhamos muito na redução de ruídos, além de agradar em aspectos como tamanho, aparência e acesso aleatório às músicas. Ocorre que na transferência de um formato para o outro eram eliminadas algumas faixas de freqüência, mantendo apenas o correspondente à captação auditiva humana - de 20 watts a 20 kilowatts. Mas, se em teoria o ouvido não capta além disso, o cérebro é capaz de fazê-lo, o que acaba influenciando no que ouvimos, seja pela noção espacial da música ou pela sensação que ela desperta no corpo". Molina conta que, ironicamente, o melhor resultado sonoro é conseguido em aparelhos para discos vinil. "A tecnologia permitiu diminuir ao mínimo os ruídos nesses equipamentos, mas em modelos muito especializados; os mais sofisticados chegam a custar US$ 500 mil".
Os novos toca-discos vão chegar caros ao País. Os modelos trazidos ainda não têm preço definido mas custam entre US$ 2 mil e US$ 7 mil nos Estados Unidos. "Inicialmente, trabalhamos com um nicho do mercado que consome produtos de altíssimo padrão. A redução dos preços depende da difusão do formato", observa Rabibti, destacando que o modelo que inaugura o mercado nacional é o primeiro SACD multicanal. O recurso pode, inclusive, ser explorado por artistas em gravações que levem em conta a disposição das caixas de som no ambiente.
"A penetração do DVD no mercado nacional tem sido muito mais rápida do que a do CD. No caso do SACD, o processo será ainda mais ágil", aposta Molina, seu colega da Sony, lembrando que o novo aparelho pode ser conectado ao vídeo e aceita discos SACD, CD e DVD. "Dessa forma, não serão perdidas as coleções de CDs", completa. Os discos de SACD também aceitam imagens - sem a qualidade do DVD, no entanto.
Apesar da excelência sonora e das facilidades anunciadas, o SACD chega ao Brasil sem ser uma unanimidade. "É mais um sistema que os fabricantes procuram impor ao mercado, uma vez que os acervos já foram refeitos depois da mudança do LP para o CD e todo mundo já tem um aparelho de CD. Mas a diferença do SACD para o CD - quando este é bem gravado - é mínima. Além disso, há uma briga de marcas nessa história, o que põe em questão a difusão desse padrão", contesta o dono de uma das maiores lojas de discos da cidade, que prefere não se identificar, referindo-se ao DVD Audio, outra linha de aparelhos, lançada recentemente, que oferece alta qualidade sonora. "O sistema Betamax era melhor que o VHS, mas não pegou. E o Vídeo Laser, aonde está?", conclui. O gerente da Phillips anuncia que a tecnologia está aberta aos demais fabricantes e que já existem à venda modelos de outras marcas, entre elas Pioneer, Sharp e Luxman. "A Phillips e a Sony têm utilizado muitos esforços de marketing para emplacar o SACD. Inclusive, são incentivadas pelas gravadoras, por conta dos sistemas de proteção contra pirataria oferecidos pelo formato", adianta.
Rabibti estima que já existem no mercado internacional cerca de mil títulos produzidos em SACD. Já é possível achar alguns títulos em lojas brasileiras, oferecidos aos apressados que trouxeram o equipamento do exterior ou compraram em importadoras.
Gazeta Mercantil
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