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 Vestuário / Confecções & Têxtil


Somando forças para virar e ganhar o jogo
As indústrias têxtil e de confecção foram consórcios para poder exportar e crescer

As importações que invadiram o País, desde meados da década, e a falta de uma política setorial de exportações abalaram a indústria de vestuário. Agora, a desvalorização cambial ajuda. Mas os fabricantes querem agregar qualidade aos produtos e alargar as exportações, principalmente com a participação das pequenas empresas. Espera-se, este ano, equilibrar a balança comercial em US$ 1,3 bilhão.

Produção de fios e fibras, tecelagens, malharias e confecções têm sido gradualmente modernizadas a partir de 1994, com a escalada da concorrência estrangeira. Investimentos de US$ 6 bilhões renovaram máquinas, tecnologia e matéria-prima. Mas um estudo da consultoria internacional Gherzi Têxtil Organization aponta que o Brasil precisa investir US$ 10,8 bilhões nos próximos oito anos para recuperar o tempo perdido, acompanhar o crescimento do mercado interno e ganhar espaço no Exterior: Desse total, 55% devem ser destinados à modernização e os 45% restantes, à expansão do parque industrial.

Inspirada no modelo italiano, a Abit, que representa a indústria têxtil, está organizando consórcios de exportação entre pequenas e médias empresas têxteis e de confecções e facilitando a obtenção de empréstimos no Exterior para a compra de máquinas e equipamentos com o aval do BNDES. "Esse conceito de exportação nasceu na Itália e, hoje, 50% das vendas externas são geradas por pequenas e médias empresas consorciadas", diz Paulo Skaf, presidente da Abit.

O Brasil precisa investir US$ 10,8 bilhões nos próximos oito anos para recuperar 30 anos sem inversões no setor, diz a Gherzi Têxtil Organization.

A indústria têxtil exportou US$ 1,1 bilhão no ano passado, contra US$ 1,5 bilhão de 1990. Nesse período, as importações quase quadruplicaram. Saltaram de US$ 500 milhões, em 1990, para US$ 1,9 bilhão no ano passado com a participação crescente das fibras sintéticas vindas da Ásia. Agora, os fabricantes querem aumentar em 3% ao ano, em média, a participação do setor no PIB nacional (US$ 25 bilhões no ano passado). As metas de exportação também são ambiciosas: US$ 4 bilhões em 2002 e US$ 6 bilhões em 2005.

SKAF, da Abit:

'Hoje, na Itália, 50% das exportações são geradas por pequenas e médias empresas consorciadas'

Paralelamente, a Abravest , que representa as confecções, desenvolve outro programa de consórcio entre micros e pequenas empresas com financiamento do Sebrae. Roberto Chadad, presidente da entidade, diz que a meta é chegar a 2002 exportando US$ 1 bilhão, contra os US$ 300 milhões do ano passado - cifra idêntica à das importações.

Os planos da Abravest e da Abit, porém, podem ser afetados, caso em meados de outubro a Organização
Mundial de Comércio (OMC) considere procedente a decisão da Argentina de impor cotas às importações de produtos têxteis brasileiros durante três anos. Essa é a primeira vez que a Argentina adota salvaguardas
Contra o Brasil. No ano passado, o país vizinho comprou 20% das vendas externas do setor, o equivalente a US$ 348 milhões. Independentemente de cotas, a indústria brasileira profissionaliza-se. Em junho deste ano, a Abravest lançou o Selo de Qualidade, conferido a produtos que atendam a determinados padrões técnicos. Em setembro, o Prêmio Qualidade foi entregue, pela primeira vez, às melhores confecções de diferentes segmentos. "È hora de ganhar o mercado pela qualidade dentro e fora do País", diz Chadad.

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