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 Transportes


É pura verdade: sem caminhão, o Brasil pára!
Apesar do esforço e do crescimento de 7%, a ferrovia ainda come muita poeira do asfalto

Em julho passado, o País sentiu na pele o que diz o bordão: "Sem caminhão, o Brasil pára". A greve de quatro dias acenou com o desabastecimento e fez o governo recuar na adoção de medidas que contemplariam até as concessionárias de rodovias. Hoje, a frota de 1,7 milhão de veículos movimenta 63,7% das cerca de 660 milhões de toneladas de carga que circulam anualmente no Brasil. Os restantes 36,3% são divididos entre os meios ferroviário (20,7%), hidroviário (11,5%), dutoviário (3,8%) e aéreo (0,3%), segundo o Geipot, órgão vinculado ao Ministério dos Transportes.

Romeu Nerci Luft, presidente da NTC, representante dos transportadores de carga, atribui a expansão do meio rodoviário ao menor volume e ao giro mais rápido de mercadorias movimentadas pelo comércio e indústria. O crescimento do consumo no interior do País, a ampliação das fronteiras agrícolas e a descentralização industrial também pesaram. "O transportador faz logística de suprimento, distribuição e se espcializou em segmentos de mercado", diz Luft.

A concorrência não é fácil para a ferrovia. Dos 26,8 mil quilômetros da malha nacional, que começaram a ser privatizados em 1996, com a Rede Ferroviária Federal, resta apenas a ferrovia Norte-Sul, da estatal Valec. E os resultados gerais da gestão privada ainda são discretos. Em 1998, o volume de carga ferroviária cresceu 7%, segundo Bernardo Figueiredo, representante do setor, que promete: "A partir de 2001, vamos crescer 15% ao ano para chegar a 2005 com 30% do mercado".

Com investimentos anuais de US$ 3 milhões, as ferrovias querem crescer 15% ao ano a partir de 2001 e dominar 30% do transporte nacional em 2005.

A primeira etapa será a reconquista do transporte de granéis, tomado pelos caminhões. Depois, a disputa dos produtos industriais, o filé do transporte. Por isso, o setor está investindo US$ 3 milhões anuais, desde 1998, em infra-estrutura, trens e locomotivas modernos. Nos próximos cinco anos, os operadores pretendem integrar o sistema ferroviário de bitolas e reformar 1,75 mil locomotivas. Nessa fase, a ferrovia quer transformar a concorrência do caminhoneiro em aliança, tornando real o transporte bimodal, um meio mais barato, capaz de transportar as carretas sobre trilhos, tracionadas por locomotivas - economizando diesel e pedágio.

LUFT, da NTC:

'O transportador faz logística de suprimento, distribuição e se especializou em segmentos de mercado'

O horizonte é outro entre os transportadores marítimos. Apesar dos 7,4 mil quilômetros da costa brasileira e dos 32 portos, a cabotagem movimenta apenas 8% da carga nacional transportada e a oferta de espaço equivale a 3% da capacidade da frota mundial, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Do total, 77% são combustíveis transportados pela Petrobras e 20% minérios. O Syndarma, órgão do setor, já reuniu 44 empresas. Agora, tem apenas 21 associados.

Por falta de demanda e má administração, tradicionais companhias foram vendidas a estrangeiras. A maior delas, a Aliança, foi comprada pela alemã Hamburg Sud. A "nova" Aliança comprou as operações do Atlântico Norte da Transroll. O trio Nacional, Libra e Paulista - pertencente ao Grupo Libra - foi incorporado pelo grupo chileno CSAV. E, para ganhar escala, Aliança/Hamburg Sud e CSAV/Libra criaram a Magellan Service, uma joint-venture que opera as rotas Leste e Oeste das Américas.

© Copyright 1996/2000 Editora Três