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Nos
últimos quatro anos, 35 empresas - quase sempre reunidas
em consórcios de empreiteiras - passaram a administrar
9,2 mil quilômetros de estradas federais e estaduais.
É menos da metade dos 19,7 mil quilômetros que
serão concedidos à iniciativa privada. O negócio,
mantido com o pagamento nos pedágios, já despertou
a atenção dos grupos argentinos Macri e Benito
Roggio, do italiano Impregillo e do português Banco
Mello. E tem dado muita dor de cabeça ao governo.
As grandes empreiteiras brasileiras não querem dividir
os 10,5 mil quilômetros que faltam com ninguém.
Em junho, as gigantes Camargo Corrêa , Andrade Gutierrez
e Norberto Odebrecht fundaram a CCR - Companhia de Concessões
Rodoviárias -, uma poderosa holding que participará
das próximas licitações. A disputa, no
entanto, não corresponde às expectativas do
governo e dos usuários em relação aos
serviços prestados pela maioria das empresas.
Um relatório do Ministério dos Transportes mostra
que apenas uma das cinco empresas que administram trechos
das rodovias federais fez os investimentos previstos para
até março deste ano. Ainda assim, não
houve redução no valor do pedágio. Protestos
contra a criação de novos postos de pedágio
e a elevação das tarifas tiveram o apoio de
alguns governadores. Em resposta, as concessionárias
foram à justiça. O governo suspendeu o reajuste
de julho e a NovaDutra fez o mesmo.
Nos
próximos cinco anos,
10,5 mil quilômetros de estradas passarão
à administração privada.
É uma boa disputa. |
Levantamento
feito pela Folha de S.Paulo junto às próprias
concessionárias, em agosto, mostrou que, depois da
privatização, os postos de pedágio em
dez lotes de rodovias do Estado paulista aumentaram de 22
para 77, provocando uma alta de 134% no custo total das tarifas
nessas estradas.
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DUARTE,
da ABCR:
'Por ora, nosso lucro
é apenas contábil. Os primeiros oito anos
exigem pesados investimentos' |
"Os
primeiros oito anos de administração exigem
capital intensivo", diz Moacyr Duarte, representante
da associação das concessionárias, a
ABCR. "Agora, nosso lucro é apenas contábil".
Duarte chegou a sugerir subsídios públicos para
evitar aumentos. O governo admite que deveria ter constituído
um órgão regulador para a área, como
os de outros setores, antes de fazer a concessão de
rodovias e ferrovias.
Com os pés bem plantados no chão, as companhias
aéreas estão discutindo alternativas que vão
da especialização em rotas ou destinos às
fusões. No primeiro trimestre, as quatro grandes empresas
somaram um prejuízo de R$ 277 milhões, em boa
parte por conta do ajuste cambial. Em Julho, mês de
férias, a queda do movimento nas rotas domésticas
foi de 22%, nas internacionais houve redução
de 34%. Seja qual for a reorganização definida,
o objetivo é garantir a capacidade de competição
com as companhias estrangeiras. Cresce a idéia de que
o Brasil não comporta quatro grandes.
Os portos também têm problemas. A transferência
das operações de terminais para a iniciativa
privada, prevista desde 1995 na Lei de Modernização
dos Portos, tem sido lenta. O porto de Niterói será
o próximo, mas o edital só deve sair em 2000.
Em Santos (SP), a Companhia Docas arrendou 25 terminais. Mas
pelo menos três estão sob suspeitas de irregularidades.
No Rio de Janeiro, sete áreas foram transferidas e
Paranaguá transferiu 26 terminais à iniciativa
privada.
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