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O governo estima que o rombo global do sistema de previdência
social - União, Estados e Municípios - esteja
em R$ 50 bilhões. Só o déficit da administração
federal é de R$ 18 bilhões. Mesmo que todas
as propostas oficiais de reforma sejam aprovadas pelo Congresso
- incluindo o aumento da idade mínima para aposentadoria
e a redução do teto máximo do benefício,
hoje de R$ 1.255,00 - o problema não será resolvido.
A
falha, apontam especialistas, é do modelo. Hoje, o
trabalhador ativo contribui para pagar o benefício
de quem já está aposentado. No início
da década, a relação era de um aposentado
para oito trabalhadores na ativa. Hoje, a relação
é caiu de um para 1,4. A proporção ideal
seria de quatro trabalhadores ativos para um aposentado -
o que é impossível. Por isso, pensa-se em elevar
a idade mínima para a aposentadoria. A saída,
segundo os estudiosos, seria a mudança paulatina do
atual modelo para o sistema de capitalização:
o trabalhador recolhe um percentual de sua renda para a própria
aposentadoria. A idéia do governo é fazer essa
transição através da expansão
da indústria de planos complementares de previdência,
que já trabalham com o sistema de capitalização.
| O
governo tem ajudado a expansão da previdência
privada concedendo dedução e até
isenção de imposto de renda |
As
reservas técnicas das fundações fechadas
de previdência e o patrimônio dos planos privados
surpreendem. No ano passado, as reservas das fundações
ficaram em R$ 93,26 bilhões, enquanto o patrimônio
dos planos privados fechou em R$ 8,26 bilhões, uma
alta de 32,16% em relação ao ano anterior. Hoje,
as atrações do mercado são os Fundos
de Aposentadoria Programada Individual (Fapis) - há
24 no mercado e seu patrimônio soma R$ 180 milhões
- e os Planos Geradores de Benefícios Livres (PGBL)
- há 22, com reservas de R$ 94 milhões.
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TRABUCO,
da Anap:
'A previdência
complementar está deixando de ser um
benefício da empresa ao empregado para se tornar
uma conquista social' |
O
governo tem estimulado a expansão desses produtos concedendo
benefícios fiscais. Contribuições feitas
a planos particulares de aposentadoria, por exemplo, podem
ser deduzidas até o limite de 12% do imposto de renda
a pagar. Os PGBLs têm uma regalia adicional: isenção
de imposto sobre ganho de capital incidente sobre os papéis
que formam a carteira, daí a maior rentabilidade frente
aos demais.
No Brasil, há 13 milhões de trabalhadores ganhando
acima de 10 salários mínimos no país
- exatamente o público alvo das empresas abertas de
previdência complementar, que, atualmente, tem pouco
mais de 1 milhão de clientes, segundo Luiz Carlos Trabuco
Cappi, presidente da Associação Nacional da
Previdência Privada (Anap).
Os
ativos dessas empresas saltaram de R$ 3,5 bilhões em
1995 para R$ 9,6 bilhões no primeiro quadrimestre deste
ano. O crescimento projetado deve ficar entre 20% e 30% ao
ano. A esta velocidade, a participação da previdência
privada no PIB brasileiro deve passar de 1% para 5% em cerca
de cinco anos, estima Cappi. Ainda será pouco perto
dos Estados Unidos, onde apenas os dois planos mais populares,
o 401k e o IRA (Individual Retiremet Account) correspondem
a 20% do PIB. O presidente da Anap acredita que o Brasil está
nesse caminho. "A previdência complementar está
deixando de ser um benefício da empresa ao empregado
para se tornar uma conquista social"
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