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 Petróleo


Extração ao estilo do velho e bom Texas
ANP quer atrair pequenos investidores para explorar poços que não interessam aos grandes

A data da próxima rodada de concessões para exploração de petróleo no país ainda não foi definida. Mas já se sabe que David Zylbersztajn, presidente da Agência Nacional de Petróleo, a ANP, quer incluir no cardápio áreas de prospecção com menor capacidade de produção, nada atrativas para os gigantes internacionais, mas boas oportunidades de negócios menores, semelhantes aos que existem há décadas nos Estados Unidos.

"Só no estado do Texas, há 7,2 mil poços de fácil extração, que produzem menos de uma dúzia de barris por dia", compara Zylbersztajn. Será um contraponto ao primeiro leilão que, em junho deste ano, contou com os gigantes mundiais do setor, que disputaram as melhores áreas. Das 27 ofertadas na época, apenas 15 ficaram sem comprador.

A italiana Agip entrou para a história, oferecendo um ágio de 53.664% para explorar e produzir gás natural e óleo na Bacia de Santos (SP) - apenas uma das quatro áreas conquistadas. "O Brasil é nossa prioridade na América Latina e será o centro de nossa estratégia nesta parte do mundo", diz Rocco Valentinetti, presidente da Agip Oil do Brasil.

Foram arrecadados R$ 321 milhões com os leilões. E, agora, há 11 empresas capitalizadas e dispostas a investir em petróleo no país. A própria Agip vai fazer parcerias com a Petrobras, que fará explorações no Amazonas, Bahia, Rio de Janeiro - de onde se extraem 80% do petróleo nacional - e em São Paulo participando de quatro consórcios diferentes.

A estrutura fiscal pode atrasar a desregulamentação de postos e distribuidoras, marcada para agosto de 2000

A petroleira brasileira quer que as estrangeiras, com maior facilidade de acesso às instituições internacionais, intermediem seus contratos financeiros, que envolvem cifras muito altas. Atuando como agente financeiro da Petrobras, a Agip pretende financiar parte do desenvolvimento da produção de seus próprios blocos no Brasil. Prestação de serviços de engenharia e locação de equipamentos, quando não estiverem em uso, são outros planos da italiana.

Foto: Calé Zylbersztajn,
da ANP:


'Em um
só estado americano, há 7,2 mil poços de fácil extração, que produzem menos de uma dúzia de barris por dia'

O setor planeja investir US$ 50 bilhões nos próximos dez anos, só a Petrobras promete aplicar US$ 30 bilhões. Até 2005, espera-se a criação de 300 mil empregos na cadeia produtiva do setor. A indústria de máquinas e equipamentos, por exemplo, dependendo do estágio, será favorecida com 5% a 60% das encomendas.

Entre as distribuidoras e postos de combustível, o clima é de guerra. Guerra de preços, movida a troca de acusações, sonegação fiscal e adulteração de combustível nos postos -, prática capaz de fechar 30% dos 6.700 postos de São Paulo, segundo o Sincopetro, entidade que os representa. Isso também afeta boa parte dos 25 mil postos e 170 distribuidoras espalhados pelo país - a maior delas a BR Distribuidora, com 7.200 postos. As distribuidoras também são acusadas pelos postos de burlar a lei e operar postos próprios, praticando concorrência desleal.

Até agosto, cinco aumentos resultaram em alta média de 62,3% nas bombas, mas não compensaram o ajuste cambial de janeiro, nem a alta dos preços internacionais do petróleo, que, até então, subiram 100%. No meio desse tiroteio e da intrincada estrutura fiscal dos preços dos combustíveis, a ANP teme não haver condições para a desregulamentar o setor na data prevista: agosto do próximo ano.

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