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A indústria automobilística mundial vai virar
o século acertando detalhes importantes de um figurino
inimaginável anos atrás. Gigantes personalistas
foram as primeiras engolidas pelas fusões. Em fins
do ano passado, a DaimlerChrysler, por exemplo, somou potências
alemã e americana. Em agosto deste ano, a sueca Volvo
comprou a conterrânea Scania para se tornar a segunda
montadora de veículos pesados do mundo e a primeira
da Europa.
Aquisições
e fusões não buscam apenas corte de custos.
A DaimlerChrysler ajudará a marca americana a conquistar
espaço na Europa ao mesmo tempo em que abrirá
as portas dos Estados Unidos à parceira alemã.
Embora a experiência da Autolatina não tenha
vingado no Brasil, a mescla de culturas tão distintas
como a francesa e a japonesa não está atrapalhando
o esforço conjunto de Renault e Nissan, por exemplo.
Todos
esses negócios bilionários têm reflexos
no Brasil. Com generosos incentivos fiscais, o Brasil atraiu
17 montadoras nesta década - aí incluídas
marcas que já estavam aqui mas abriram novas fábricas
e/ou lançaram novos produtos, e outras novatas. Todas
interessadas em otimizar a sinergia proporcionada pelo Mercosul,
ou simplesmente em seu protagonista, o Brasil.
Os
newcamers, recém-chegados, já responderam,
por 8% das vendas no primeiro
semestre deste ano, dividindo o bolo com as veteranas. |
Aqui,
há apenas um carro para cada nove habitantes, índice
baixíssimo se comparado aos 5,8 da Argentina, por exemplo.
É isso que anima fabricantes como a Mercedes, que,
depois de 40 anos produzindo caminhões e ônibus,
inaugurou uma fábrica no primeiro semestre para fazer
o Classe A. Ou a Peugeot, que abre sua fábrica no final
do próximo ano.
Há
quem se pergunte se, mesmo assim, haverá compradores
para tantas e diferentes marcas diante das incertezas da economia
brasileira e mundial. Este ano, com muita sorte, a produção
brasileira de veículos ficará em 1,4 milhão
de unidades, o mesmo volume de 1993, bem antes do boom da
indústria. O agravante é que os chamados newcamers,
recém-chegados, já responderam por 8% das vendas
no primeiro semestre deste ano. Isso significa que as vendas
diminuíram entre as montadoras veteranas.
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SCHAIK,
da Mercedes:
'Novas oportunidades
de exportação
também dependem
de redução dos custos, cuja estrutura me
decepciona
no Brasil' |
Mas
os novatos também já pagaram "pedágio"
neste mercado. O ajuste do câmbio, em janeiro, obrigou-os
a antecipar a nacionalização das peças
de seus veículos com o objetivo de reduzir custos.
Mesmo conhecedora do mercado brasileiro, a Mercedes adotou
a medida em relação ao Classe A.
As exportações poderiam ajudar a aumentar a
escala de produção e a reduzir custos, alimentando
um ciclo em que a baixa de preços também contribuísse
para alavancar o mercado interno. A questão é
que, nos últimos anos, o Brasil concentrou seus esforços
no mercado argentino, que, agora, em crise, diminuiu as compras.
O mercado internacional também não está
comprador. No ano passado, as exportações globais
somaram US$ 4,95 bilhões. A meta de chegar a US$ 5,5
bilhões este ano dificilmente será alcançada.
"A
desvalorização cambial ajudaria a aumentar as
exportações, mas os mercados também ficaram
menores", afirma Ben van Schaik, presidente da Mercedes-Benz
do Brasil. "Novas oportunidades de exportação
também dependem de redução dos custos,
cuja estrutura me decepciona no Brasil."
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