|
O mercado brasileiro de informática tem demonstrado
uma vitalidade surpreendente para um país freqüentemente
abatido por crises econômicas - internas ou externas.
As perspectivas são otimistas e, mais do que os números
de vendas, quase sempre contraditórios, importam as
tendências de rápida evolução e
sofisticação dos fabricantes e clientes, que
acompanham e exigem qualidade global dos produtos e serviços.
Tem crescido rapidamente o número de empresas que,
mais do que fabricar computadores, fornecem Tecnologia da
Informação. Além do hardware, esse conceito
inclui o software e a prestação de serviços,
que exigem profundo conhecimento sobre o negócio do
cliente.
A complexidade desse "plus" varia. Há fornecedores
que até se responsabilizam pela operação
do ambiente de informática da empresa. A IBM, por exemplo,
gerencia o parque de mainframes e opera a plataforma de ERP
(software de gestão empresarial) do grupo Multibrás.
Cada vez mais, os clientes da indústria de informática
querem se preocupar com a produtividade do próprio
negócio e não se incomodar com as ferramentas
que o fazem funcionar.
| Apesar
de desencontrados, os números apontam o crescimento e
a sofisticação da informática no Brasil |
"O
mundo está vivendo uma revolução",
afirma Carlos Ribeiro, presidente da HP do Brasil. "Por
isso, estamos focando nossa estratégia no fornecimento
de soluções completas e não apenas na comercialização
de produtos." O motor dessa revolução é
a Internet, que está intermediando negócios em
todo o planeta e o relacionamento inter-empresarial. Na HP,
a estratégia para enfrentar essa revolução
foi batizada de E-Services. "No mundo, tudo será
feito através da Web, de forma personalizada e extremamente
rápida", diz Ribeiro. Rapidez, infelizmente, ainda
não é uma das qualidades do processamento de informações
no Brasil.
|
|
RIBEIRO,
da HP do Brasil:
'Fornecemos soluções
completas ao cliente, além da venda de nossos produtos
' |
As
pesquisas estão longe de um consenso sobre o comportamento
das vendas de informática em 1998. Segundo a International
Data Corporation (IDC), o faturamento total do mercado, no
ano passado, foi de 11,4 bilhões de dólares:
hardware (42,9%); serviços (32,9%); software (14,5%);
e comunicação de dados (9,7%). Para a Secretaria
de Política de Informática e Automação
(Sepin), do Ministério da Ciência e Tecnologia,
as vendas somaram US$ 17 bilhões: hardware (49,4%);
serviços (27,6%) e software (22,9%).
O
cálculo é preliminar e resulta da aplicação
do índice de 15% -- a mesma taxa de expansão
verificada em 1997. Mas, ainda que os efeitos das crises asiática
e russa tenham reduzido os investimentos empresariais em tecnologia,
a apuração do resultado final não deve
ser inferior a US$ 16 bilhões, segundo os técnicos
da Sepin. Também não há, claro, consenso
em relação ao futuro.
Pesquisa feita pelo Centro de Informática Aplicada
(CIA) da Fundação Getúlio Vargas junto
a 1.141 empresas de médio e grande portes, no ano passado,
constatou a venda de 2 milhões de microcomputadores.
O CIA projetou a venda de 2,8 milhões para este ano
e estimou em 5 milhões - quase o dobro - as unidades
a serem vendidas anualmente entre 2001 e 2004. Para a IDC,
foram vendidos 1,5 milhão e, para este ano, a taxa
de crescimento deve ser de modestos 4,5%. A indústria
parece preferir a prática aos números.
|