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O índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)
amargou uma perda nominal de 33% no ano passado. Mas nos primeiros
seis meses deste ano o índice acumulou alta de 72,10%
- um ganho nominal superior à maxidesvalorização
cambial do período e à perda do valor de compra
do real. Do ponto de vista macroeconômico, a bolsa tende
a manter o movimento de alta - algo estritamente vinculado
a qualquer estremecimento na economia nacional e internacional.
Independentemente
de qualquer variável, o mercado brasileiro de ações
é muito pequeno e tem diminuído. Nos últimos
cinco anos, 367 empresas brasileiras abriram o capital. Desse
total, desde então, 165 não fizeram qualquer
emissão de papel. Entre as companhias que obtiveram
registro da Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) antes de 1994, 133 fecharam o capital e apenas 99 das
896 empresas do setor produtivo continuam presentes na Bolsa
de Valores. A última abertura de capital relevante
foi a da Rossi Residencial, em junho de 1997.
No
setor, atribui-se a retração à perda
da característica básica do sistema - a capitalização
- e ao alto custo de manutenção de uma estrutura
aberta. Por isso, algumas companhias têm optado pelos
American Depositary Receipts (ADRs). Das empresas registradas
na CVM, 13 abriram o capital para lançar ADRs. Apenas
a cobrança da CPMF já torna o custo de uma transação
no Brasil oito vezes maior do que em Nova York, onde são
negociados os ADRs, segundo levantamento da Associação
Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).
| A
cobrança da CPMF torna o custo de uma transação
no Brasil oito vezes maior do que em Nova York, onde são
negociados os ADRs |
As
compras de empresas nacionais por estrangeiras também
têm contribuído para o encolhimento da bolsa.
Foi o que aconteceu à Freios Varga - autopeças
- e à CBV - equipamentos para extração
de petróleo - compradas pela inglesa Luca Varity e
pela americana SMC Corporation, respectivamente. As multinacionais
conseguem trazer do exterior recursos mais baratos do que
captariam no Brasil.
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BARRETO,
da Fator Dória e Atherino:
'O número
de corretoras
brasileiras é
desproporcional
se comparado ao tamanho do mercado'
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O
encerramento do pregão viva-voz da Bolsa de Valores
do Rio de Janeiro (BVRJ), em julho, dimensiona o mercado brasileiro.
Reduzidas, as transações na bolsa brasileira
equivalem a apenas 10% do pregão americano. Lá,
35% das pessoas físicas investem em ações.
Aqui, os investidores são apenas 15%.
O
perfil das corretoras também tende a mudar, porque
o setor está inchado. "O número de corretoras
é desproporcional se comparado ao tamanho do mercado",
afirma Carlos Alberto Paes Barreto, diretor da Corretora Fator
Dória e Atherino. A bolsa de Nova York tem 32 corretoras-membro
contra 82 da bolsa paulista. "A solução
natural e óbvia é a fusão", diz
Barreto.
Em
busca de aprimoramento, algumas corretoras começam
a explorar mercados específicos. Entre eles, atendimento
a clientes institucionais e distribuição de
fundos de investimento de terceiros. A CVM determinou, em
maio, que os administradores de fundos de ações
prestem informações detalhadas e periódicas
sobre sua carteira e respectivo nível de risco, algo
que deve aumentar a credibilidade popular no sistema. E, em
março, a Bovespa lançou o home brocker, um sistema
na Internet que permite a pequenos e médios investidores
emitirem ordens de compra e venda de papéis virtualmente.
Exagero ou não, o sistema foi batizado de Mega Bolsa.
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