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 Finanças / Cartões de crédito


De olho no futuro e com apetite voraz
A bordo da estabilidade econômica os cartões triplicam clientes e acirram a concorrência

O mercado brasileiro de cartões de crédito continua crescendo em ritmo acelerado. De julho de 1994 para cá, o setor cresceu à velocidade média de 25% a 35% ao ano, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões e Serviços (Abecs). Entre o final do primeiro ano do Real e 1998, o faturamento mais que triplicou, saltando de R$ 10,32 bilhões para R$ 32 bilhões. As 44 administradoras que operam as quatro grandes bandeiras - Visa, Mastercard, American Express e Diners - esperam que este ano o movimento fique ao redor de R$ 36 bilhões - um crescimento de 13% em relação a 1998.

Em apenas quatro anos, graças à estabilidade econômica, a participação do setor no PIB cresceu de menos de 1% para 4%. Mas ainda é modesta diante do potencial de negócios que é capaz de gerar. "O cartão deve ocupar o espaço de outras formas de pagamento, aumentando, gradativamente, sua participação do PIB", prevê Waldemar Petty, presidente da Abecs.

Pesquisa feita pela Credicard mostra que, em 1998, os cartões respondiam por 24% dos pagamentos e subiram para 35% no ano passado. No mesmo período, os pré-datatados caíram de 9% para 7%. O trabalho também mostra que a participação dos gastos de famílias subiu de 2,6% para 5,6% -- taxa ainda inferior à da argentina (8%) e bem distante da americana (18%). Entre as oportunidades para fazer crescer o uso do plástico, o setor está atento aos negócios em casas de material de construção e às consultas médicas particulares.

Entre o final de 1995 e 1998, o faturamento mais que triplicou,
saltando de R$ 10,32 bilhões
para R$ 32 bilhões. Este ano, serão R$ 36 bilhões

Além da queda da inflação, muito da popularização do "dinheiro plástico" deve-se também à sua associação aos cartões de débito oferecidos por instituições financeiras - os chamados cartões multiuso. Hoje, os selos das quatro bandeiras estão em 520 mil estabelecimentos - há cinco anos, eles eram apenas 115 mil. Atualmente, 12 milhões de clientes movimentam 22 milhões de cartões no país - antes do Real, o número de consumidores mal passava de oito milhões. Nesse período, a quantidade de transações também triplicou: de 210,34 milhões para 641,2 milhões no ano passado.

PETTY, da Abecs:

'Os cartões devem
ocupar o espaço de
outras formas
de pagamento e
ampliar sua
participação
no PIB'

A competição tem sido acirrada. As bandeiras têm agregado serviços a seus produtos, feito promoções e dado generosos descontos a clientes antigos dispostos a não renovar a anuidade. Elas também têm cortejado os clientes com menor poder aquisitivo, consumidores da terceira idade e mulheres - consumidores que vêm aderindo ao plástico nos últimos cinco anos.

A agressividade na conquista por novos clientes agora é menor. Passada a euforia consumista dos primeiros tempos do Real - que elevou a taxa de inadimplência para 6,5% sobre o faturamento no início do ano passado - ficou uma lição. "O brasileiro aprendeu a usar o cartão e as administradoras se tornaram mais rigorosas", diz Petty. A principal razão dos atrasos, segundo ele, é a falta de planejamento dos gastos, não é o desemprego. Nos quatro primeiros meses deste ano, a inadimplência já baixou para 4% e deve ceder ainda mais até dezembro.

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