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A partir do início do próximo ano, começam
a chegar ao mercado os medicamentos genéricos. Novidade
no Brasil, eles representam cerca de 35% das vendas nos Estados
Unidos e Europa. Aqui, estima-se que poderão movimentar
entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões anuais.
O governo espera que eles reduzam o preço médio
dos remédios em 40% até 2003.
Os
genéricos são copiados de drogas usadas em marcas
tradicionais, cujas patentes venceram, podem ser fabricados
por qualquer laboratório e, como não exigem
investimentos em pesquisa e marketing, são mais baratos.
Mas têm de passar pelo crivo da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária.
"A
regulamentação dos genéricos é
competente e sua rigidez é comparável à
das normas do Food & Drugs Administration (FDA)",
diz José Eduardo Bandeira de Mello, presidente da Abifarma,
que representa os fabricantes. "O que nos preocupa é
a eficácia de nossa fiscalização"
Os
laboratórios multinacionais, que respondem por 70%
da oferta de medicamentos no País, têm produtos
com patentes a vencer. E é provável que venham
a registrar como genéricos remédios correspondentes
às suas marcas registradas, garantindo presença
nos dois mercados.
| Em
1998, os fabricantes faturaram US$ 10,3 bilhões.
Este ano, por conta do câmbio, o resultado deve
ficar ao redor de US$ 8,5 bilhões. |
Este
ano, o faturamento da indústria deve ser 17,5% menor
do que os US$ 10,3 bilhões de 1998 por conta do ajuste
cambial - 70% das matérias-primas usadas são
importadas. De janeiro a julho deste ano, o reajuste médio
dos medicamentos foi de 11,10%, enquanto o Índice de
Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Geral
de Preços ao Mercado (IGPM) chegaram a 3,62% e 9,95%,
respectivamente.
Em
1998, o aumento médio foi de 2,8%. A variação
do IPC foi de -1,8%, e a do IGPM, 1,8%. Apesar da folga sobre
a inflação e da queda de 5% das vendas em relação
a 1997, o faturamento chegou a US$ 10,312 bilhões -
apenas 0,3% a menos do que em 1997. A retração
foi compensada pelo aumento dos medicamentos que não
estão entre os 100 produtos usados para o cálculo
do reajuste médio. Alguns até triplicaram de
preço. Na mira do Ministério da Justiça
há 13 fabricantes que fizeram reajustes superiores
a 20%, e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae)
está verificando outros 74 laboratórios.
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BANDEIRA
DE MELLO, da Abifarma:
'O Crescimento da indústria
vai depender da conclusão das reformas tributária
e fiscal até o próximo ano'
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O
Brasil é o quarto maior consumidor de remédios
no mundo e o setor trabalha com perspectivas positivas. "O
volume de vendas poderá crescer até 15% ao ano
a partir de 2000 se o déficit fiscal for contido e
as reformas tributária e fiscal, concluídas",
diz Bandeira de Mello. A retomada do crescimento interno e
a expansão das exportações ao Mercosul,
aos Estados Unidos e à Europa devem mover esse crescimento.
No
ano passado, as vendas externas - equivalentes a 30% da produção
- somaram US$ 140 milhões, o quarto lugar no ranking
brasileiro. O Mercosul responde por dois terços desse
total. Em 2000, a indústria pretende aumentar as exportações
em cerca de 45% e chegar a US$ 200 milhões, incrementando
os negócios com os Estados Unidos e Europa.
O
Brasil deve ser favorecido pelo redesenho mundial do setor,
impulsionado por fusões. Esse processo tem desativado
fábricas em muitos países da América
do Sul, concentrando a produção no Brasil e
Argentina.
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