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Há cinco anos, as obras públicas representavam
100% do faturamento das empresas de construção
pesada. Hoje, essa fatia é de 72,4% segundo o Fórum
Nacional da Construção Pesada (FNCP), que reúne
nove entidades do setor. Essa participação tende
a ser ainda menor. Com a queda no volume de obras públicas
e a privatizações, as empreiteiras estão
diversificando negócios. Tornaram-se concessionárias
de energia elétrica, de rodovias e de telecomunicações.
Ao mesmo tempo, prestam serviços para algumas de suas
antigas concorrentes da época em que o governo federal
era o único cliente.
"As concessões no setor de infra-estrutura abrem
caminho para a prestação de serviços
aos clientes privados e estimulam a diversificação
dos negócios", afirma Pietro Francesco Giavina-Bianchi,
diretor administrativo-financeiro da construtora Camargo Correa.
Saneamento básico é a bola da vez. Já
estão em andamento os preparativos da privatização
das empresas de Pernambuco e Bahia, prevista para o final
do primeiro semestre de 2000. Na fila, estão os estados
do Espírito Santo e Rio Grande do Norte.
Saneamento
e coleta de lixo vão exigir R$ 40 bilhões
nos
próximos 10 anos e as empreiteiras se unem para
explorar esse mercado |
Em
recente pesquisa feita pelo FNCP, 75% dos 200 construtores
entrevistados apontaram o saneamento básico como o
melhor mercado de concessões a caminho. Segundo o governo
federal, dos 40,6 milhões de domicílios existentes
no país, cerca de 57% não têm esgotamento
sanitário e 24% não dispõem de coleta
de lixo. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) estima que, nos próximos dez anos,
essas obras devem exigir investimentos de até 40 bilhões
de reais.
As privatizações já mostraram o quanto
podem ser rentáveis. No ano passado, as eleições
impulsionaram discretamente o volume de obras públicas.
Mas negócios como a concessão das rodovias -
entre elas a NovaDutra (Rio-São Paulo) e a Autoban,
que administra o sistema Anhangüera-Bandeirantes no Noroeste
paulista - fizeram o faturamento do setor crescer 25% sobre
1997, fechando em 26,78 bilhões de reais.
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BIANCHI,
da Camargo Corrêa:
'Há uma forte
tendência de
prestação de
serviços
para clientes
privados'
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A
diversificação de áreas só fará
os números crescerem. Em energia, a Odebrecht está
construindo e vai operar a usina hidrelétrica de Itá,
no rio Uruguai, entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande
do Sul. A Camargo Correa, ao lado de Votorantim e Bradesco,
tem participação acionária na VBC Energia,
que administra a hidrelétrica de Serra da Mesa (GO),
além das distribuidoras Rio Grande Energia (RS), Companhia
de Força e Luz e Empresa Brasileira de Energia, ambas
em São Paulo. Em telecomunicações, o
forte é a prestação de serviços.
A exceção é a Andrade Gutierrez, que
participa do consórcio Telemar, responsável
pela telefonia fixa em 16 estados.
As
perspectivas também são atraentes na América
do Sul. A Mendes Júnior, por exemplo, tem, hoje, 30%
do faturamento oriundo de operações no Chile.
Venceu a concorrência para a construção
de um aeroporto em Concepción, no país andino,
e pretende disputar outras obras no continente. É quase
certo que outras empreiteiras cruzem as fronteiras: só
no Mercosul, estão previstos investimentos anuais de
26 bilhões de dólares para promover a integração
da rede de infra-estrutura dos países membros, segundo
o Sindicato Nacional da Indústria de Construção
Pesada. É um mercado e tanto.
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