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Os ventos estão soprando a favor da construção
civil. Espera-se que o volume de lançamentos aumente
cerca de 30% este ano. Nada mal, quando se leva em conta que,
só na Grande São Paulo, o volume de novos negócios
teve uma queda de 55% no ano passado. A tendência de
recuperação foi detectada a partir de março,
contradizendo os diagnósticos recessivos, e é
um alívio depois de 1,5 ano de desaquecimento.
Só
a incorporadora Brasil Realty cresceu 167% apenas no primeiro
trimestre. Até junho vendeu quase todas as unidades
de cinco lançamentos - dois residenciais de luxo, dois
flats e um edifício para a classe média. "Ganhamos
com a insegurança no mercado financeiro", afirma
Daniel Citron, diretor financeiro e de relações
com o mercado da Brazil Realty. "Este primeiro semestre
foi espetacular."
Os
empreendimentos visavam mercados bem diferentes. Boa parte
dos negócios beneficiou-se da insegurança provocada
pela desvalorização cambial de janeiro. Imobiliárias
paulistas de porte, como Abyara e Paulo Roberto Leardi, também
contabilizaram o aquecimento de vendas.
Os
32,4 mil demitidos não devem ser recontratados
a
curto prazo. Entre lançamento e início das
obras, há um intervalo de 6 meses |
Agora,
o setor aposta na recuperação da capacidade
de investimentos dos setores público e privado, na
manutenção dos juros em patamares inferiores
aos do primeiro semestre e em novos financiamentos da Caixa
Econômica Federal para a retomada consistente dos negócios.
Ao mesmo tempo, calcula-se quanto os bancos privados poderão
ajudar a alavancar a produção, depois que o
Conselho Monetário Nacional autorizou a redução
de 70% para 60% a aplicação dos depósitos
em caderneta de poupança em linhas de crédito
para a construção de imóveis.
A
medida dá maior liquidez aos bancos, que poderão
renegociar dívidas de construtoras e, assim, movimentar
o setor. Estima-se que a mudança poderá gerar
oito bilhões de reais em negócios no mercado
imobiliário, principalmente na faixa entre R$ 30 mil
e R$ 70 mil - uma boa ajuda para o déficit habitacional
de 5,5 milhões de moradias no país. O interesse
das construtoras por produtos populares também tende
a aumentar.
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CITRON,
da Brazil Realty:
'Ganhamos
com a
insegurança
do ajuste
cambial.
O primeiro semestre
foi espetacular'
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O
modelo, desenvolvido por cooperativas habitacionais entre
1995 e 1997, produziu imóveis para a população
de baixa renda. E já atraía até empresas
especializadas em imóveis de alto padrão antes
da mudança de regras. A Inpar e a Gafisa já
estão fazendo lançamentos nessa área.
"A tendência é erguer grandes condomínios
e reduzir a área interna das unidades", afirma
Tomás Nioac Salles, diretor-executivo da Engipar SP
Administrações e Participações,
cujo otimismo o faz prever aumento de 50% no nível
de atividade em 2000.
Em
linhas gerais, a idéia é construir em larga
escala apartamentos com dois e três dormitórios
para clientes com renda entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil. Racionalizar
custos, melhorar as negociações com os fornecedores
e usar novas tecnologias são mandamentos básicos
nesses projetos.
Só não se pode esperar que os 32,4 mil trabalhadores
demitidos pelo setor no primeiro semestre deste ano sejam
recontratados a curto prazo. O espaço de tempo entre
o lançamento e o início de uma obra é
de seis meses. E, como na maioria dos setores, a folha de
pagamento da construção civil também
tende a ser menor com a introdução de novas
técnicas.
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