|
Não bastassem as vendas terem despencado quase à
metade nos últimos dois anos, os revendedores chegaram
ao limite da convivência com um problema antigo: vendendo
ou não, eles são obrigados a manter estoques
regulares em suas lojas, cumprindo, assim, uma velha exigência
comum a todas as montadoras. Agora, querem rever esse modelo
com as fábricas.
Waldemar
Verdi, presidente da Fenabrave, entidade que representa as
concessionárias, propõe um novo modelo para
as relações entre produção e revenda:
"Os fabricantes devem faturar os veículos diretamente
para eliminar os impostos em cascata", sugere. "O
atual modelo de compra e venda deixou de funcionar porque
não comporta mais a pesada estrutura tributária
e de custos de estoque."
Capitão de um dos maiores conglomerados de revendas,
consórcio e instituições financeiras
especializadas em veículos, Verdi garante que o modelo
garantiria a arrecadação de impostos sem obrigar
o concessionário a arcar com o ônus do estoque
parado. "Eu só posso comprar de um fornecedor,
mas só vendo o que o mercado quer", diz ele, que
conhece as contas do setor.
A margem bruta na venda de carros gira, hoje, em torno de
11%. Só a parte operacional do negócio leva
entre 7% e 7,5% do todo. Os 4% que restam são simplesmente
reduzidos à metade se o estoque da revenda for mantido
por 20 dias. Em tempos de dinheiro curto, como hoje, esse
período é facilmente ultrapassado.
O
programa de renovação da frota nacional
seria capaz, segundo o setor, de reanimar
a demanda a médio e longo prazo. |
O
custo do carregamento do estoque também aumentou por
conta da concorrência das revendas de outras marcas,
nacionais ou importadas, que tiraram clientes de quem já
estava estabelecido. Dependendo das condições
oferecidas pelas novas montadoras, concessionários
tradicionais, cujos nomes já estavam vinculados à
determinada marca, trocam de bandeira. Foi o que aconteceu
com a Caltabiano, conhecida revenda de São Paulo, que
trocou a Ford pela Toyota.
|
|
VERDI,
da Fenabrave:
'Os fabricantes
devem faturar
os veículos
diretamente
para eliminar
os impostos
em cascata'
|
Aumentar
a receita melhorando o serviço de assistência
técnica, diversificando a linha de produtos e dando
maior atenção aos carros usados não basta
para sustentar uma concessionária. Por isso, segundo
Verdi, muitas podem fechar, motivo pelo qual buscam-se saídas
de longo prazo.
Apesar das diferenças com as montadoras, os concessionários
se juntaram às fábricas, aos fornecedores de
autopeças e aos trabalhadores da cadeia automotiva
para defender o programa de renovação da frota
nacional. O projeto seria capaz de reanimar a demanda e mantê-la
permanentemente a médio e longo prazos.
A idéia é dar um desconto ao consumidor que
comprasse um carro mais novo ou zero, desde que tirasse das
ruas um veículo com mais de 10 anos. O desconto seria
fruto da redução do preço pela montadora
e dos impostos pelo governo. A medida garantiria a venda adicional
de 400 mil veículos/ano - o equivalente a quase um
terço das vendas previstas para este ano - volume que
representa um tombo perto dos dois milhões de unidades
vendidos há dois anos.
Este
modelo já foi usado com eficácia em outros países
e já foi discutido em outras ocasiões pela indústria
automotiva. Agora, que além da maré baixa dos
negócios, a concorrência cresceu para fabricantes
e revendedores, a experiência pode representar um novo
fôlego até que o cenário melhore.
|