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Uma revolução sem data para acabar
Alianças, concentração e novos canais de compra chacoalham atacado e varejo

A revolução instalada no varejo ainda promete muitas surpresas. A reestruturação do setor, caracterizada pela vigorosa onda de parcerias e aquisições, reforça a concentração das vendas entre as maiores companhias e acentua a presença do capital internacional. O Grupo Pão de Açúcar é o melhor exemplo. Em agosto, vendeu 23,98% do capital votante à rede francesa Casino - um negócio avaliado em cerca de US$ 2 bilhões, que faz desaparecer as aquisições de redes regionais feitas no primeiro semestre.

Com os recursos, o grupo abaterá dívidas, fará investimentos e abrirá novas lojas nos próximos cinco anos. Com o know-how do parceiro francês, o Pão de Açúcar pretende fazer compras globais, entrar em novas áreas, como lojas de desconto ou conveniência, lançar marcas próprias e, sobretudo, desbancar o Carrefour da liderança que já lhe pertenceu.

A dupla Pão de Açúcar - Casino vai acentuar o ritmo de concentração entre as cinco maiores redes de supermercados. Em 1996, elas responderam por 26% das vendas. No ano passado, quando o faturamento global foi de R$ 55,5 bilhões - 5,8% a mais do que em 1997 - o índice subiu para 33%. A expectativa é de que essa fatia salte para 38% até dezembro. Até porque o Carrefour ficou na lanterninha, mas também comprou as redes Planaltão (DF), Roncetti (ES) e Mineirão (MG) este ano.

Preocupados com a sobrevivência do pequeno comércio, os atacadistas investem na capacitação desses clientes vip

Antes da chegada do Casino, especialistas estimavam que, em cinco anos, o Brasil chegaria ao nível de concentração do varejo europeu. Lá, cinco ou seis redes dominam cerca de 50% do mercado. Marcos Gouvêa de Souza, da MD Desenvolvimento Empresarial, acredita que a saturação dos negócios na Europa e as oportunidades ainda existentes entre empresas brasileiras de médio porte podem atrair mais investidores estrangeiros.

ARAÚJO,
da ABRAS:


'Haverá uma
polarização entre
hipermercados
e pequenas lojas
independentes
a partir de 2001'

José Humberto Pires de Araújo, presidente da ABRAS, entidade que representa os supermercados, aposta na polarização entre hipermercados e pequenas lojas independentes a partir de 2001. E não descarta a associação entre pequenos comerciantes. Aparentemente em extinção, o pequeno varejo preocupa os atacadistas, que faturaram R$ 21,3 bilhões em 1998. É que o comércio do tipo mercearia é seu principal cliente.

Por isso, há quatro anos, um grupo de treze grandes atacadistas trouxe para o Brasil o Independent Grocers Alliance (IGA) - um sistema americano de franquia, que visa capacitar profissionalmente e desenvolver os pequenos supermercados. Dez lojas já integram o IGA e 35 estão em treinamento. Já o Grupo Martins, maior atacadista da América Latina, tem outra preocupação: está buscando parcerias para viabilizar sua expansão e diversificação. Este ano, comprou três lojas da rede Apoio Clube de Compras, entrou no atacado de auto-serviço e vai distribuir remédios.

Os canais de venda também estão mudando em alta velocidade. Internet e televisão devem impactar o comércio tradicional. Pão de Açúcar, Sé Supermercados, Ponto Frio e C&A já estrearam no comércio virtual.

No meio de tantas mudanças, desapareceram, este ano, tradicionais varejistas: G.Aronson, Mappin e Mesbla, e Brasileiras enquanto a rede Arapuã tenta a todo custo sobreviver e participar da revolução.

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