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A AmBev, a Companhia de Bebidas das Américas, nascida
a 1- de julho para enfrentar a concorrência estrangeira
e gerar vendas anuais estimadas em US$ 8,5 bilhões,
surge, curiosamente, no primeiro ano depois do real em que
se espera queda no consumo de cervejas e refrigerantes. Nem
por isso, a AmBev perde o título de terceira maior
cervejaria do mundo em volume de produção, atrás
apenas da norte-americana Anheuser-Busch e da holandesa Heineken.
A mega fusão ainda precisa passar pelo crivo do Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por conta
de seu poder de concentração - mais de 70% em
cervejas e 19% em refrigerantes. Mas a aprovação
é tida como quase certa pelo setor, que teme pelos
resultados deste ano. O consumo de cerveja, que totalizou
8,15 bilhões de litros em 1998, movimentando cerca
de US$ 9 bilhões, dizem fabricantes, tende a encolher.
Com
pouco dinheiro no bolso, o Brasil diminuiu em 15,2% o
consumo de cerveja no semestre passado.
O corte foi maior entre os refrigerantes: 17,5%. |
As
vendas no primeiro semestre diminuíram 15,2% em relação
a igual período do ano passado. Além disso e
da variação cambial, os produtores também
enfrentaram a concorrência, que diminuiu os preços.
"Essas contingências impedem eventuais cortes na
margem de lucro para ajudar a manter as vendas neste segundo
semestre", diz Marcos Mesquita, representante das cervejarias
(Sindicerv). Com tudo isso e apesar da vasta capacidade instalada,
duas novas fábricas serão inauguradas até
meados de 2000 - a da Schincariol e da portuguesa Cintra.
No
mercado de refrigerantes também há apreensão.
Pesquisa do Ibope, junto a 70% dos lares brasileiros, mostrou
que o consumo de refrigerantes de primeira linha caiu 17,5%
entre janeiro e junho deste ano. No ano passado, a expansão
de 4,8% no consumo sobre 1997 foi puxada pelos refrigerantes
de marcas regionais, conhecidos como tubaínas. As médias
e pequenas empresas responderam por 3 bilhões dos 11
bilhões de litros de refrigerantes produzidos no ano
passado e sua fatia de mercado saltou de 19% para 30%.
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MESQUITA,
do Sindicerv:
'A correção
cambial e a concorrência de preços no primeiro
semestre impedem corte nas margens
para ajudar a manter as vendas até o fim do ano'
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"Com
as reformas necessárias, o Brasil manterá o
maior potencial de crescimento de consumo de refrigerantes.
Nenhum país oferece retorno de investimento tão
rápido", afirma José Talarico, presidente
da Associação Brasileira da Indústria
de Refrigerantes (Abir). Essa certeza leva o setor a programar
investimentos de US$ 3 bilhões entre este ano e 2001.
O
mercado de águas também promete disputa entre
marcas tradicionais -como Minalba e Indaiá - e outras
novatas, que contêm sais artificiais. Esse mercado gira
mais de 2 bilhões de litros, movimenta U$ 750 milhões
e teve expansão anual de 12% nos últimos cinco
anos. As novatas - BonAqua (Coca-Cola); Fonti (Brahma) e Pure
Life (Nestlé) - já representam 1% das vendas.
Os
isotônicos - liderados por Gatorade, da Quaker, e Marathon,
da Brahma - cresceram mais de 500% desde 1994. Até
a AmBev já avisou que bebidas não-alcoólicas
serão os primeiros lançamentos da nova empresa.
Chás e sucos prontos também fizeram carreira
veloz no Brasil: cresceram mais de 600% desde o início
da década. Há mais do que cerveja e refrigerante
para brindar.
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