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A recente venda da Sabó - antiga empresa familiar e
tradicional fornecedora das montadoras - à americana
Federal-Mogul, em agosto, praticamente encerra o ciclo da
compra de grandes companhias no setor de autopeças,
iniciado em 1995. O porte de ambas dá a dimensão
dos negócios fechados nos últimos quatro anos.
A Sabó faturou US$ 180 milhões no ano passado,
enquanto sua compradora - dona de um apetite voraz nos quatro
cantos do mundo - movimentou US$ 6,45 bilhões.
As autopeças quase "puxaram" o rodamoinho
de fusões no Brasil. Até o início dos
anos 90, não estavam acostumadas à concorrência
externa e, com freqüência, eram estruturas familiares.
Quando a abertura chegou, faltou-lhes capital, tempo e a agilidade
necessários para acertar o passo com as demandas globais
e, gradualmente, o setor foi trocando de mãos.
"Hoje,
80% das maiores empresas de autopeças de todo o mundo
estão aqui", afirma Paulo Butori, presidente do
Sindipeças, que representa os fabricantes de autopeças.
De fato, as indústrias estrangeiras aqui instaladas
respondem por 62,3% das vendas. A maior parte das nacionais,
que responsáveis pelos 37,7% restantes, está
endividada, com impostos atrasados e sequer tem crédito
para um empréstimo bancário. Antes do real,
52,4% do faturamento do setor vinha de indústrias brasileiras.
| O
faturamento da indústria caiu de US$ 17,45 bilhões
em 1997 para US$ 14,5 bilhões em 1998, valor que
deve ser mantido este ano. |
Nos
dois últimos anos, os investimentos estrangeiros se
intensificaram através de joint-ventures, troca
de tecnologia ou de simples compras. Quem sobreviveu, teve
de se adaptar a grandes mudanças. Algumas empresas
se tornaram "mini montadoras". Os sistemistas, como
são chamados, coordenam um grupo de fornecedores e
são especializados na montagem de sistemas dos veículos.
O chassi da picape Dakota, por exemplo, feito pelo grupo americano
Dana Albarus, é um sistema, que chega pronto à
linha de montagem da Crhysler, rodando sobre as rodas que
ao levarão o mercado.
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BUTORI,
da Sindipeças:
'Hoje, 80% das maiores
empresas de autopeças de todo o mundo estão
aqui e respondem por 62,3% das vendas'
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Os
métodos de produção adotados nos últimos
anos surpreendem até às matrizes das montadoras.
A fábrica da GM, em Gravataí (RS), por exemplo,
inicia, em alguns meses, a produção de um novo
modelo sem estoque algum. E os fornecedores terão o
prazo máximo de 90 minutos para entregar componentes.
Conhecida como "projeto Arara Azul", a fábrica
é considerada um dos pilares operacionais da GM em
todo o mundo.
A maioria dos fornecedores agora mantém vínculo
com os sistemistas enquanto esse seleto grupo foi levado para
dentro ou para os arredores das fábricas. A da Volkswagen,
que faz o Golf e o Audi 3 no Paraná, por exemplo, é
rodeada por 13 fornecedores que a abastecem pelo sistema just-in-time.
Esse "time de primeira linha" tende a participar
com maior intensidade do desenvolvimento e produção
de modelos.
Isso, é claro, não impediu que a queda na produção
e vendas internas encolhessem o faturamento do setor de US$
17,45 bilhões em 1997 para US$ 14,5 bilhões
em 1998 - valor que deve ser mantido este ano. Os fabricantes,
que já tiveram o grosso do faturamento vindo das exportações
até o início desta década, procuram retomar
as vendas externas em busca do crescimento a médio
prazo. A conjuntura e a crescente automação
nas fábricas fecharam, em pouco mais de um ano, 19.400
vagas no setor. A retomada do crescimento é o primeiro
passo para reverter esse quadro.
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