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Apetite afiado, mas o paladar é bem apurado
Grandes ou pequenas, as empresas têm de estar em sintonia com hábitos do consumidor

A onda de aquisições, que marcou a indústria de alimentos entre 1994 e 1998 amansou, mas não desapareceu. No primeiro semestre deste ano, a holandesa Royal Numico comprou a Mococa, tradicional fabricante de laticínios do interior paulista. Para se fortalecer, a Cooperativa Central de Laticínios (Paulista) transformou-se em sociedade anônima, centralizando as operações industriais e comerciais de seus 29 associados. E, depois de dois anos de negociação, espera-se, finalmente, pela conclusão da venda do frigorífico Chapecó ao grupo argentino Macri, que já comprou outras três empresas alimentícias brasileiras e incorporou a Adria.

Ampliar os produtos com maior valor agregado também ajuda a compensar eventuais quedas nas vendas em momentos de crise.

Parte dos 36 mil fabricantes do setor deve somar forças de algum modo para sobreviver à concentração e atender às novas exigências de mercado. Já entre as grandes companhias, como Sadia e Perdigão, acirra-se a concorrência. O market share da Sadia caiu de 29,9% em 1997 para 24,8% no ano passado. A liderança foi mantida, mas a participação da concorrente subiu de 19,5% para 21,9%.

Grandes ou pequenos, todos estão mais atentos do que nunca às mudanças de hábito do consumidor. Quase sempre, isso significa lançar novos produtos. Só no ano passado, a Sadia colocou 38 no mercado. Destes, 18 eram linhas novas na empresa.

Juca Rodrigues FURLAN,
da Sadia:


'O setor tem investido em produtos de maior valor agregado, que reúnam qualidade e praticidade'

"O setor tem investido em produtos de maior valor agregado, que reúnam qualidade e praticidade", afirma Luiz Fernando Furlan, presidente do conselho de administração da companhia.

A estratégia de ampliar os produtos com maior valor agregado também ajuda a compensar eventuais quedas nas vendas em momentos de crise. Não é, por ora o que esperam os fabricantes. De acordo com a ABIA, que representa os fabricantes de alimentos, as vendas cresceram 2,5% entre janeiro e junho deste ano em relação a igual período do ano passado.

Espera-se que o impacto do aumento de combustíveis e de tarifas públicas diminua as vendas neste segundo semestre. Ainda assim, o faturamento de US$ 71,3 bilhões do ano passado deve crescer 3%. A expansão das exportações deve ser modesta, segundo a ABIA, 1% e 2% . Em compensação, o ajuste cambial de janeiro impôs um severo freio às importações. Entre janeiro e maio, elas diminuíram 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

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