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Negócios ao mar
Empresários
descobrem uma nova função para seus barcos: a de extensão do escritório
Fabiana Godoy
e Marta Barbosa
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Maria
Di Andréa Hagge
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| MARQUES:
grandes oportunidades comerciais a bordo de sua lancha de 41
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O CEO
da IBM, Louis Gerstner, tem muito em comum com o empresário
mineiro Adauto Marques, dono do Café Bom Dia e um dos maiores
exportadores do Brasil. Os dois resolveram adotar a mesma estratégia
de relacionamento com seus parceiros e clientes. Eles já
passaram há algum tempo da fase do almoço de negócios
e dos happy hours. Agora, optaram por um ambiente que para muitos
significa só lazer e que para eles virou a extensão
de seus escritórios: o mar. No caso de Gerstner, isso significou,
por exemplo, alugar um iate de luxo durante a Olimpíada de
Sydney. Foi nesse barco que, durante duas semanas, o superexecutivo
se hospedou, recebeu os amigos entre eles os CEOs das maiores
empresas do planeta e fechou negócios. No Brasil,
já é comum ver a mesma cena acontecendo nas grandes
marinas. Que o diga o mineiro Marques: É um hábito
de negócio incluir um passeio de barco na agenda dos meus
clientes estrangeiros, conta. Isso já me garantiu
ótimas oportunidades comerciais. O novo escritório
de Marques fica em Angra dos Reis, mais exatamente numa lancha de
41 pés, avaliada em US$ 200 mil.
Essa
tendência começou lá fora, entre os grandes
executivos. Já são famosas, por exemplo, as reuniões
à beira do Mediterrâneo organizadas pelo presidente
mundial da Phillips, Cor Boonstra. A grande vantagem, segundo os
adeptos, é a discrição. Há uma
privacidade muito maior, revela Luiz Felipe Furquim de Campos,
representante da Sea Ray no Brasil, uma das principais fabricantes
de barcos de luxo do mundo. Por privacidade, entenda-se, entre outras
coisas, não correr o risco de ter um concorrente na mesa
ao lado bisbilhotando o seu almoço de negócio. Outro
ponto a favor das negociações no mar é a descontração
do ambiente. É uma situação em que é
fácil quebrar o protocolo, as pessoas falam mais à
vontade, conta o diretor-executivo do Carrefour, Armando Almeida,
um apaixonado por náutica.
São
por essas e outras facilidades que o mercado de barcos de recreio
está em polvorosa. De 1999 para cá, houve um crescimento
de 25% no número de embarcações vendidas. O
último grande evento do setor, o Boat Show, ocorrido na primeira
semana deste mês em São Paulo, movimentou cerca de
US$ 50 milhões. A abertura das importações
permitiu a vinda de novos barcos, com qualidade e preço competitivos,
diz Lenilson Bezerra, da Associação Brasileira dos
Construtores de Barco (Acobar). E a indústria nacional
seguiu a mesma trilha.
Esses
brinquedinhos aquáticos podem ter até mais comodidade
do que um escritório de verdade. Os mais luxuosos têm
10 suítes e chegam a custar US$ 4 milhões. Por menos
que isso (a partir de US$ 200 mil) é possível encontrar
lanchas com cozinha, dois banheiros, satélite, tevê,
vídeocassete, videogame, fax e telefone. A preocupação
em deixar os barcos mais confortáveis e modernos só
aumenta, diz a arquiteta Bya Barros, que decorou oito barcos
de empresários de renome que já eram seus clientes.
Atualmente não há barco sem conexão para
computador. Tudo para se tornarem ambientes de trabalho completos.
Para as empresas, gastar alguns milhões num barco é
investir no marketing de relacionamento. Não é à
toa que no Brasil elas são clientes dos estaleiros. Muitos
barcos estão registrados nas marinas em nome da companhia,
principalmente multinacionais, conta Ingo Dalibor, da Carbrasmar,
o mais tradicional estaleiro do País. E não pense
que assim alguém está jogando o dinheiro da empresa
no mar. Alguns clientes contam que poucos meses depois de
comprar a embarcação, o investimento já estava
pago pelos negócios gerados ali, fala Luiz Alberto
Oscheneek, diretor-comercial da revenda de barcos Rickman Boats.
É
claro que não basta só levar um potencial cliente
para navegar e o negócio está feito. Em alto mar,
lembre-se de que não há lugar para a formalidade.
Discutir um assunto, por mais sério que seja, de bermuda
e maiô é diferente de fazê-lo de terno, numa
sala de reuniões, diz a empresária Sílvia
Tocci, do ramo do vestuário. Ela costuma levar clientes nos
finais de semana para navegar em seu barco de 40 pés ancorado
no litoral de São Paulo. Com isso, Sílvia alia sua
paixão pelo mar à profissão. Há
negócios que levam até seis meses para dar retorno,
explica. Mas o legal da convivência em alto-mar é
que antes disso, o cliente já se tornou um amigo.
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