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Erro de estratégia

Trocar o seu fundo DI por um fundo de renda fixa nem sempre é um bom negócio. Entenda por quê

Laura Somoggi

Biô Barreira/Fumo & Cia

Na ânsia de obter sempre os maiores retornos, muitos investidores acabam errando na hora de mudar a sua carteira de aplicações. É isso o que tem acontecido com muita gente preocupada em manter seus ganhos mesmo com a queda dos juros. Segundo profissionais do mercado financeiro, há um movimento de recursos saindo dos fundos DI – aqueles que acompanham o CDI (a taxa de juros usada nas transações entre os bancos) e que são pós-fixados – e entrando em fundos de renda fixa, prefixados. Essa parece a estratégia ideal quando lembramos que os juros há um ano eram de mais de 18% e hoje estão em 16,5%. Mas não é bem assim. Muitos outros fatores devem ser considerados antes de qualquer alteração do seu portfólio. A primeira pergunta é: qual o seu horizonte de investimento? “Para menos de seis meses, não vale a pena mudar”, afirma Gilberto Poso, diretor da área de risco do Lloyds Asset Management. “O retorno efetivo não compensa a CPMF”.

Nos últimos três meses, segundo a Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid), os fundos de renda fixa renderam mais do que os DI. Em agosto, por exemplo, enquanto eles tiveram um ganho nominal de 1,43%, os DI ficaram em 1,36%. Em setembro, a diferença foi um pouco menor: 1,20% contra 1,17%. “O ganho de rentabilidade deve ser maior do que o custo da transação”, diz Jorge Simino, diretor-presidente do Unibanco Asset Management. Ou seja, ao mudar de aplicação o investidor tem de estar certo de que ganhará mais do que pagará em CPMF. Além disso, a permanência nos fundos DI por um prazo maior é recomendável em função da redução da velocidade na queda dos juros - e, conseqüentemente, da possibilidade de maiores ganhos na renda fixa. No mercado, a expectativa dos juros para 2001 variam de 13,5% a 15%.

“Muitas vezes, o fundo já obteve o ganho com a queda das taxas passadas”, afirma Ronaldo Magalhães, diretor da Sul América Investimentos. “Quem entra agora terá de esperar uma nova redução para ter boa rentabilidade.” Isso porque mesmo os fundos prefixados têm títulos pós na sua carteira. Para que o renda fixa supere o DI, é preciso que a taxa de juros seja menor do que a expectativa do mercado. Por isso, é preciso saber se o profissional que cuida do seu fundo é capaz de operar o cenário de juros de forma eficiente ao longo do tempo. “O pequeno investidor deve aplicar seu dinheiro pensando nos seus objetivos”, diz Hugo Penteado, economista-chefe do ABN Amro Asset Management. “E não tentar adivinhar o que vai acontecer com a economia. Isso é papel do gestor.” Quem não está satisfeito com os ganhos deve analisar opções mais arrojadas. Considerando, é claro, o seu perfil de risco. Fundos multiportfólio que mesclam renda fixa e variável ou fundos de derivativos pouco agressivos podem ser boas opções.

 
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