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PESQUISA
A
casa caiu
Imóveis foram
o pior investimento da década
Marta
Barbosa
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Ciete
Silvério
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Por
muito tempo, a voz corrente das ruas dizia que não havia
investimento mais seguro do que adquirir imóveis. Seguro,
continua sendo. Afinal, quem destina as economias na compra de um
apartamento não corre o risco de ver tudo retido pelo governo,
como já aconteceu com a poupança. Nem de ver seu saldo
diminuir pela metade da noite para o dia, como na época da
desvalorização do real. Mas se o que vale mesmo é
a rentabilidade, esqueça o antigo conceito. O economista
Mauro Halfeld, professor de finanças da Universidade Federal
do Paraná, elaborou um estudo comparando os ganhos de quem,
nos últimos dez anos, aplicou em imóveis, mercado
de ações e poupança e concluiu que o investidor
que escolheu o primeiro perdeu dinheiro. Segundo o estudo de Halfeld,
cada US$ 1 aplicado em 1990 na compra de um apartamento equivaleria
hoje a US$ 0,87. Enquanto isso, na Bovespa esse mesmo US$ 1 teria
se multiplicado e valeria US$ 6,312 e mesmo na combalida poupança,
valorizaria para US$ 1,744. A verdade é que imóvel
deixou de ser uma boa opção para quem quer multiplicar
seus recursos, analisa Halfeld. O economista considerou em
seus cálculos a hipótese de todo o ganho obtido com
aluguel ter sido reaplicado na poupança, por exemplo. E somou
a isso a depreciação que o imóvel sofreu, de
acordo com a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio de
São Paulo (Embraesp).
O que
aconteceu nesse período que justifique esse desempenho? Primeiro:
a alta dos juros, que tornou mais caro construir no Brasil. As taxas
elevadas também foram um incentivo para que os investidores
mantivessem suas economias na renda fixa. O que se viu então,
principalmente a partir do Plano Real, foi uma superoferta de apartamentos,
casas e flats, com preços altos e pouca gente disposta a
pagar. Isso reduziu ainda mais a liquidez e diminuiu a chance
de ganhos, diz Paul Weeks, diretor da Cushman & Wakefield
Semco, consultoria de São Paulo. Isso, segundoWeeks, não
significa que imóvel e lucro se estranhem sempre. Isso depende
de uma boa localização, do projeto e de uma oferta
compatível.
Que
o preço dos imóveis foi forçado a uma queda
nos últimos anos, não dá para negar. Mas quem
comprou um apartamento de frente para o mar de Copacabana não
perdeu, ou perdeu menos do que quem apostou na aquisição
de uma casa no centro de São Paulo, antes da migração
de empresas para bairros como Vila Olímpia. Tudo é
questão de administração da compra, afirma
Sérgio Lemb, vice-presidente de locação do
Secovi, o Sindicato da Construção. Outra dica: se
seu objetivo é investir, o melhor é que o imóvel
seja comprado ainda na planta.
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