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Montblanc, CPMF e mínimo
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Custa
US$ 110 em torno de R$ 200 a mais barata das canetas
Montblanc. A de cor preta clássica que o ministro Malan usava
durante o debate no Congresso está nessa faixa. O deputado
Mercadante implicou com a Montblanc de Malan como mote para discorrer
sobre a insignificância do reajuste no salário mínimo.
O aumento de R$ 0,28 por dia previsto no orçamento
não dá nem para pagar a tinta desta caneta Montblanc
que o senhor está usando, tergiversou. Em primeiro
lugar, colocando os pontos nos is, os R$ 0,28 a mais
dá para o trabalhador comprar a carga da caneta de
R$ 13, nas melhores casas do ramo ao cabo de quase um mês
de trabalho. A Montblanc e o mínimo, não há
dúvida, fazem parte de mundos diferentes no Brasil de contrastes.
O ministro Malan não sabia de cabeça o valor da caneta,
ou da carga, mas estava afiado nos números que compunham
o orçamento federal para 2001. E neles, não cabia
mais que os R$ 0,28 para o mínimo. Não cabia, mas
as movimentações políticas para dar um jeitinho
estão em andamento. PT e PFL já fizeram uma esdrúxula
aliança nesse sentido. No asfalto, sindicalistas iniciam
nesta semana uma caminhada a pé de 1.100 quilômetros,
entre São Paulo e Brasília, com o mesmo intuito. O
presidente Fernando Henrique, como explicou em entrevista à
DINHEIRO, está preocupado em ampliar resultados na área
social. Daí a Montblanc do ministro Malan pode afinal se
aproximar do mínimo, ao assinar a autorização
para um reajuste mais gordo. Não a Montblanc do ministro,
mas a de diretores do Banco Central acabaram servindo para assinar
um outro benefício, de isenção de CPMF, esse
dirigido a um grupo mais seleto: o de investidores estrangeiros
nas bolsas brasileiras. A anistia fiscal vai custar aos cofres da
Receita cerca de R$ 80 milhões a cada ano de vigência.
O subsídio para o investidor que vem de fora não vale
para o assalariado que queira colocar seu dinheiro nas bolsas. E
é tudo em nome da igualdade do País com o primeiro
mundo. Afinal, precisamos ser competitivos.
Carlos
José Marques
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