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INDÚSTRIA
Visteon
âncora no polêmico porto Seco
Empresa
produz autopeças com isenção fiscal
László
Varga
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Bruno
Schultze
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| ECONOMIA:
redução de custos de R$ 1 milhão no primeiro ano |
A multinacional
norte-americana de autopeças Visteon, uma das maiores do
ramo no Brasil, dá nas próximas semanas o pontapé
inicial em um novo e polêmico sistema de produção
no País. A companhia começará a montar subcomponentes
de auto-rádios, sistemas de injeção eletrônica
e velocímetros dentro de um porto seco, jargão
adotado para os mais de 100 postos avançados da Receita Federal
no País e que até agora servem apenas como
depósitos para empresas. Tudo que é feito ali tem
isenção total de impostos sobre as matérias-primas
importadas, desde que os produtos sejam posteriormente reexportados.
O modelo lembra muito as maquilas mexicanas, indústrias
que não pagam um centavo ao fisco ao agregarem valor a produtos
estrangeiros remetidos para os EUA e Canadá. Vamos
economizar cerca de US$ 1 milhão em um ano com a criação
de um centro de produção no porto seco que utilizamos
em Guarulhos, diz o diretor de assuntos corporativos da Visteon,
Luiz Fernando Antonio.
A
montagem de zonas de produção nos portos secos, oficialmente
conhecidos como Estações Aduaneiras do Interior (Eadis),
foi autorizada em maio passado pela Receita Federal. O projeto só
está saindo do papel agora devido a problemas burocráticos
e de resistências de entidades como a Fiesp. Uma ala dos empresários
paulistas teme uma onda de contrabando a partir das Eadis, que driblariam
o fisco ao internalizar produtos sem o recolhimento de tributos.
Toda novidade traz temor. Mas não haverá irregularidade,
afirma Antonio. A Visteon, que deve faturar US$ 500 milhões
este ano, afirma que utilizará o sistema para aumentar as
exportações, mas pretende mesmo elevar as vendas internas.
Vamos reduzir custos com um controle de qualidade no próprio
porto seco. Componentes com defeito voltarão ao fornecedor
sem termos de pagar impostos da internalização,
declara. Para Eduardo da Cruz, presidente do Dry Port, porto seco
da Visteon, o novo esquema permitirá que o Brasil seja um
centro de distribuição para a América Latina.
Resta saber se a chiadeira de industriais não barrará
todos esses planos.
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