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NEGÓCIOS


A ofensiva da belga SOLVAY

Gigante química parte para as compras no País

Biô Barreira
Lapage, presidente: planos para os setores farmacêutico e petroquímico

Há dois anos, os executivos da matriz da belga Solvay, dona de um faturamento anual de US$ 8 bilhões, baixaram a seguinte decisão: ampliar a atuação do grupo no Brasil. O presidente da filial brasileira, Jean Pierre Lapage, seguiu à risca a recomendação. Primeiro, ingressou no segmento farmacêutico – responsável por 15% das receitas mundiais – graças à aquisição, no início deste mês, do laboratório nacional Sintofarma (receita de R$ 25 milhões). “Vamos trazer remédios novos e dobrar o faturamento em dois anos”, promete Lapage. Entre os produtos prontos para desembarcar está o Luvox, antidepressivo concorrente do Prozac, da Pfizer.

Não é só. De olho no crescimento econômico brasileiro, a Solvay se associou à Dacarto Benvic. A aliança, fechada nesta semana, permitirá o desenvolvimento de novos produtos de PVC para aplicação em ramos da indústria como construção civil, embalagens e infra-estrutura. A Solvay detém hoje 6% desse mercado, que movimenta US$ 500 milhões, mas quer abocanhar uma fatia de 20%. E tome planos. Além dos remédios e tubos de PVC, a companhia está com tudo preparado para ampliar as operações químicas. A capacidade de produção de polietileno da indústria instalada no Grande ABC pode ser turbinada assim que a Petroquímica União, de São Paulo, que fornece a matéria-prima, o etileno, der o sinal verde. Os projetos são arrojados: aumentar a capacidade, até 2005, para 200 mil toneladas – um terço do total fabricado hoje. “Enquanto não se definir a política de preços para a nafta, a PQU não aumentará a produção”, diz Lapage. “Ficamos com as mãos atadas.” E com US$ 100 milhões, programados para injetar mais gás na fábrica da Solvay, engavetados.

As razões para tanto interesse estão na desregulamentação do setor petroquímico, além das expectativas positivas geradas pela privatização de setores como os de infra-estrutura. “O potencial de crescimento no País é muito grande”, afirma. O executivo esconde na manga outras cartas. Na área química, quer ampliar, até 2004, a produção de água oxigenada, produto usado em indústrias de segmentos como os de papel, têxtil e farmacêutica. A capacidade da indústria em Curitiba (PR) passará das atuais 60 mil toneladas para 90 mil toneladas graças a um investimento de US$ 12 milhões.

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