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NEGÓCIOS


VESTUÁRIO

Brasil dita a moda nos EUA

Lee recorre à filial para derrubar Levi’s

László Varga

Biô Barreira
GINGA LATINA: a estilista Emy Kato apostou em peças ousadas

A criatividade brasileira, quem diria, virou arma secreta na batalha que a Lee e a Levi’s têm travado nos Estados Unidos pelo domínio do mercado de jeans. Na terra natal do azul e desbotado, a Lee lidera a venda de peças para mulheres de 30 anos ou mais, com 34% do mercado. Só que os principais nichos dessas roupas – os destinados a adolescentes e jovens – estão nas mãos da Levi’s, dona absoluta da produção de jeans. O quartel-general da Lee decidiu então reagir, e após uma reunião em Bruxelas, na Bélgica, resolveu tentar mudar o jogo com uma fórmula desenvolvida para as jovens brasileiras. A linha Diva Doll, que abusa de calças justas com cinturas muito baixas, chegou às lojas daquele país há poucas semanas. “É a primeira vez que uma subsidiária da Lee emplaca uma coleção nos Estados Unidos”, festeja o gerente de marketing no Brasil, Larry Sackiewicz. Ao todo, a VF Incorporation, dona das marcas Lee e Wrangler, investirá US$ 10 milhões até 2001 nas peças, que são produzidas inclusive nas próprias fábricas norte-americanas.

Por aqui, as calças são vendidas desde junho e viraram motivo de orgulho para a estilista Emy Kato, coordenadora do departamento de criação. A vitória brasileira é comemorada também porque a Lee voltou a operar no Brasil há apenas dois anos. Em 1997, a Vicunha perdeu a licença de produção e a multinacional decidiu voltar por conta própria um ano depois, com a produção terceirizada. Hoje possui 180 modelos de roupas. Sackiewicz prevê um crescimento de 5% nas vendas neste ano, e já planeja emplacar outras linhas nos Estados Unidos. Esse tipo de decisão ocorre nas reuniões estratégicas do grupo multinacional, que fatura US$ 6 bilhões por ano, e o Brasil sediará pela primeira vez o encontro no início do ano que vem. O jeitinho brasileiro pretende encantar novamente os gringos.

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