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Gigante
americana desembarca no País para disputar
com a Nestlé o paladar dos bebês. Sobre a mesa,
um mercado que vai movimentar R$ 180 milhões
Ricardo
Osman
Os
caminhões levaram os últimos contêineres do porto para o depósito
da Novartis Consumer Health, em Campo Grande, zona oeste do Rio
de Janeiro, na semana passada. O lote veio da cidade de Querétaro,
no México, saiu do porto de Altamira, cruzou o oceano por dez dias
até o destino. Abertas as portas, estava lá a preciosa e delicada
carga de potinhos com papas, sopinhas e sucos para bebês. A operação
foi o começo do desembarque no País da multinacional Gerber, controlada
pelo laboratório Novartis. A rota terá tráfego permanente. A líder
de produtos de nutrição infantil dos Estados Unidos, presente em
72 países e com faturamento de US$ 1 bilhão, inaugurou há poucas
semanas a divisão Brasil em sua fábrica mexicana, uma das seis que
possui espalhadas pelo mundo.
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Maria Di Andreahagge
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Dile,
diretor: A Gerber quer, até o final do ano, 15% do mercado
da Nestlé
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Agora,
quer abocanhar o mercado brasileiro, onde a Nestlé reinava sozinha
nas prateleiras dos supermercados até o mês passado. A nutrição
infantil movimenta no País R$ 60 milhões anuais, mas o valor deve
saltar para R$ 180 milhões no ano que vem e crescer progressivamente
nos próximos cinco anos, calcula Armando Dile, diretor-geral da
Gerber. “O potencial deste segmento no Brasil é enorme”, diz Dile.
“O País concentra 28% dos nascimentos de toda a América Latina.”
A guerra
pelo paladar infantil está apenas no início. A concorrente Nestlé
reagiu imediatamente à presença da Gerber. Nos últimos dias, chegou
a tirar seus produtos das prateleiras de supermercados e pontos
de venda para remodelar toda a linha: lançou novas opções de embalagem,
com quantidades distintas dos potes tradicionais, ampliou a linha
de sucos, abrindo o leque de sabores no cardápio do bebê, e reviu
a receita de seus cereais para melhor se adaptar ao gosto da garotada.
Com toda a movimentação, espera-se para o caso dos potinhos uma
guerra semelhante à das fraldas descartáveis, registrada em meados
da década de 90. Em 1995, as vendas das fraldas representavam R$
241 milhões. Quatro anos depois, o montante dos negócios já era
de R$ 743 milhões, boom provocado pela entrada de novos fornecedores
onde reinava absoluta a Johnson. “Com a concorrência no setor de
alimentos, a divulgação dos produtos e de seus benefícios é maior”,
conta Ana Paula Alfredo, gerente de marketing da Gerber. Ela aposta
em mudança de comportamento das mamães. “Os potinhos deixarão de
ser um produto de conveniência, adquirido por impulso, para ser
um produto incorporado à rotina da dona de casa, por causa de suas
qualidades.” Campanha publicitária da Gerber, orçada em R$ 3 milhões,
terá início na segunda-feira, 23, com exibição de comerciais na
tevê.
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Marcelo Min
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Gonçalves,
da nestlé Novas embalagens e sabores para enfrentar a
concorrente
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“A
entrada de competidores qualificados em mercados em que atuamos
é positiva para o desenvolvimento do setor”, avalia a direção da
Nestlé. “O mercado brasileiro, após a reorganização da economia,
apresenta um potencial de crescimento muito intenso.” A Nestlé aposta
na sua condição de uma das maiores indústrias alimentícias do mundo
para resistir à ofensiva da Gerber. A multinacional suíça, presidida
no Brasil por Ricardo Gonçalves, está no segmento de nutrição infantil
desde 1971 e tem fábrica em São José do Rio Pardo, interior de São
Paulo. É de lá que saem os caminhões com os novos frascos de papas
e sopinhas. São duas novas faixas de tamanho (115 gramas e 120 gramas
e 170 gramas e 175 gramas), que se juntam às tradicionais. “O objetivo
das novas embalagens é corrigir a percepção das mães de que os potinhos
da Gerber, menores, seriam mais baratos”, explica um alto executivo
da Nestlé, que preferiu se manter anônimo.
Tropical.
A estratégia traçada pelo comando da Gerber é de conquistar de 10%
a 15% do mercado brasileiro até o fim deste ano. A empresa tomou
o cuidado de tropicalizar papas e sopas vendidas com sucesso nos
Estados Unidos. Macarrão e carnes são elaborados com o tempero de
cebola em pó e sal para as crianças brasileiras. As sobremesas ganharam
o açúcar. Mas o principal trunfo a ser explorado na disputa com
a Nestlé é a novidade da Gerber de ter seus produtos oferecidos,
em todo o mundo, para três fases distintas do crescimento do bebê.
“Este é o nosso diferencial em relação à concorrência”, avalia Armando
Dile. “Temos produtos em quantidade e textura adequadas a cada fase.
Por isso, a concorrência está reformulando as suas embalagens”,
garante. A Nestlé preferiu não rebater as declarações do diretor.
Mas, nesta disputa acirrada, é lembrado que a Gerber já esteve no
Brasil na década de 70, enfrentou dificuldades financeiras e foi
embora. Tudo verdade. “Mas há uma grande diferença: naquela década,
a Gerber era uma empresa familiar e hoje faz parte de um grupo fortíssimo”,
diz Dile. A Novartis, cujo faturamento anual é de US$ 23 bilhões,
comprou a empresa norte-americana em 1997. “A Gerber volta ao Brasil
para fica”", anuncia. Os números justificam: nascem no País 3,8
milhões de crianças por ano, mas o consumo nacional é de seis potinhos
por criança/ano. Muito pequeno. Na Venezuela, onde são registrados
600 mil nascimentos, o consumo é de 16 dúzias de potinhos por criança.
Há, pelo visto, muito espaço para crescer. Apenas em um ponto Nestlé
e Gerber concordam: antes dos seis meses de idade, o melhor alimento
para a criança é o leite materno. Esta é reserva de mercado natural.
Inexpugnável.
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